A mágoa de Tatiana estava confinada àquele momento, ao encontrar o olhar gélido de Guilherme, ela mal se atrevia a respirar demais.
Ela não sabia o que tinha feito para provocar esse louco e fazer com que ele olhasse para ela dessa maneira.
Afinal, durante todo o caminho, ela não tinha falado nada, até mesmo aguentando em silêncio os espinhos das árvores a torturando.
Será que ele estava cansado do jogo?
Um aperto se formou no coração de Tatiana, e ela engoliu toda a sua mágoa.
- Sr. Borges, não há mais caminho à frente? Ou há algum outro problema? - Perguntou Tatiana, cautelosamente.
- Entregue o que você tem consigo, e eu ainda posso continuar jogando com você. Caso contrário, você ficará aqui com seus equipamentos. - Disse Guilherme.
Ele não rodeava, falava diretamente, com uma ameaça clara em suas palavras.
- Agora é noite cerrada, e com o que você tem, certamente te encontrarão antes do amanhecer. Mas adivinhe, você acha que sobreviverá até lá? Talvez, quando seus irmãos te encontrarem, você esteja tão morta quanto os corpos naquela casa. - Disse Guilherme.
Tatiana mordeu o lábio, e as palavras de Guilherme trouxeram à sua mente a terrível situação de Breno, incontrolavelmente.
Ela não sabia se Breno estava morto, mas sabia que o louco à sua frente fazia o que dizia.
Se ela não entregasse o que ele pedia, quem sabe realmente acabaria pendurada em uma árvore no meio do selvagem.
Nesta época do ano, os animais selvagens eram raros, mas pendurada em uma árvore, quem poderia dizer se não morreria desangrada ou congelada pelo orvalho pesado da montanha?
Mas ela não poderia admitir que tinha ativado intencionalmente o dispositivo de localização.
Tatiana apertou os lábios e falou com voz firme.
- Não entendo o que você está dizendo, Sr. Borges. Desde a Mansão da família Borges até agora, estive sob sua vigilância. Como eu teria chance de fazer qualquer truque? - Indagou Tatiana.
Guilherme estreitou os olhos, e o gesto de levantar a mão foi interrompido pelas palavras de Tatiana.
Ela ergueu o olhar para encontrar o de Guilherme, encarando ele sem desviar.
- Mas já que o Sr. Borges disse isso, suponho que o problema deva estar comigo. Você também sabe que eu enfrentei perigos no exterior, e desde que voltei para o país, os acidentes têm sido constantes, o que obviamente preocupa meus irmãos. Então, vamos fazer assim, eu colaboro com você para retirar qualquer objeto que possa conter um dispositivo de rastreamento, enquanto você continua seu jogo, pode ser? - Sugeriu Tatiana.
Ela não fez questão de enfatizar que os objetos eram dela, apenas admitiu a possibilidade de haver rastreadores e mostrou que estava completamente alheia a isso.
Independentemente de Guilherme acreditar ou não no que ela dizia, sua atitude já era um aceno de conciliação.
Mas o coração de Tatiana ainda estava apertado, pois ela não sabia o que esse lunático estava pensando, e se esse método poderia realmente garantir sua segurança.
Assim, à medida que Guilherme se aproximava, o coração de Tatiana batia mais rápido.
Seus dedos se curvavam inconscientemente enquanto ela ponderava sobre duas opções viáveis.
Se esse lunático decidisse continuar o jogo, ela agiria oportunamente para conservar energia, priorizando esperar por socorro.
Se Guilherme resolvesse não continuar o jogo, ela não se importaria em lutar com ele até o fim, pois, de qualquer modo, seria uma luta de vida ou morte. Antes ser enganada por ele até a morte, preferia lutar com todas as suas forças, mesmo que suas mãos ainda estivessem amarradas. Pelo menos, era melhor do que antes, quando tinha as pernas amarradas e nem conseguia correr!
Guilherme parou diante de Tatiana, que, tensa, prendeu a respiração, pronta como um animal jovem à espera de atacar, apenas aguardando qual seria a resposta seguinte.
- Onde está o dispositivo de rastreamento? - Insistiu Guilherme.
- Sr. Borges, esta pérola dourada foi um presente da Srta. Gabriela para mim, meu irmão nunca a tocou, então não deve haver problema. Se você não conseguir desatar o nó, talvez devêssemos deixar para lá. Se você ainda desconfiar, pode verificar depois e, se ainda encontrar algum problema, faça o que quiser. - Disse Tatiana.
Não se sabia ao certo que horas eram de madrugada, mas um nevoeiro tênue pairava sobre a floresta densa. Vestindo um casaco de outono, Tatiana sentia um frio cortante, sem mencionar seus tornozelos expostos ao ar frio pela calça levantada, quase formando pequenos caroços de tanto frio.
Curiosamente, Guilherme realmente não desatou a fita vermelha.
Seus dedos longos deslizaram pela pele alva dela e ele se levantou novamente.
A escuridão profunda refletida em seus olhos, ele a encarava diretamente nas sombras do bosque, como se a devorasse com o olhar.
Ele engoliu em seco, e sua voz voltou ao tom usual de indolência, com um toque de estranheza.
- Já que a Srta. Taís disse isso, então não vou tirar. Esse nó realmente é complicado. Mas... - Lembrou Guilherme.
Tatiana se sentiu intimidada sob seu olhar e instintivamente deu um passo para trás, paralisando ao ouvir suas palavras.
- Mas, mas o quê? - Indagou Tatiana.
Guilherme observava seu rosto pálido de susto, um sorriso brilhante surgindo em seu rosto.
- Mas, Srta. Taís, sua pele é tão branca que combina perfeitamente com essa joia. Se pudesse sair daqui, até te daria um colar igual. - Disse Guilherme.
Tatiana ficou sem palavras, a sensação de repulsa subindo ao estômago. Contendo o desconforto, ela forçou um sorriso para Guilherme.
- Sr. Borges, melhor não brincar assim. Se você quer dar um presente, como eu poderia aceitar? - Perguntou Tatiana.
- Você tem medo de aceitar ou não quer aceitar? - Indagou Guilherme dando um passo à frente e jogou no chão o colar e o anel que havia tirado antes. A pedra preciosa verde brilhante caía aos pés de Tatiana, esmagada sob o pé de Guilherme.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...