Hospital.
Lorenzo praticamente correu para lá ao ouvir que Tatiana tinha desaparecido. Desde que voltou para Cidade R, Nanda às vezes tinha que ser internada por mal-estar, e ultimamente ela reclamava frequentemente de dores de cabeça, quase nunca voltando para a Mansão dos Borges.
O consultório de psicologia e o hospital não eram próximos, e como era horário de saída do trabalho, o trânsito estava terrivelmente congestionado.
Quando Lorenzo chegou, Nanda estava terminando o jantar com a companhia de Thaís.
- A senhora vai comer só isso hoje? Não quer comer mais um pouco? Está ficando frio, e as noites estão cada vez mais longas. - Disse Thaís.
Thaís olhou preocupada para Nanda, que tinha colocado os utensílios de lado e mal tocado na comida.
Nanda acenou negativamente com a mão.
- Não, não quero mais, não estou com apetite. - Disse Nanda.
Ela pegou uma toalha úmida e quente ao lado para se limpar, mantendo sua elegância mesmo estando doente.
Foi nesse momento que Lorenzo entrou.
Ele estava ofegante, claramente tinha corrido sem parar, ainda trazendo consigo o frio da chuva de outono.
Nanda se assustou, e só quando seus sentimentos se acalmaram e ela viu que era seu filho, que há muito tempo não via, ela respirou aliviada.
- Você conseguiu um tempo para vir hoje? Não está super ocupado com a empresa? Eu pensei que você já nem se lembrava mais de sua mãe. - Disse Nanda.
Ela pensou que Lorenzo tinha vindo visitar ela.
Infelizmente, Lorenzo não respondeu ao seu comentário. Assim que recuperou o fôlego, perguntou diretamente.
- Onde ele está? - Perguntou Lorenzo.
A mulher no sofá se surpreendeu, e o movimento de limpar os dedos paralisou.
Em um instante, Nanda recuperou sua expressão habitual e fingiu não entender muito bem.
- O que você está dizendo? Você veio aqui, todo encharcado, correndo, para me perguntar algo estranho? Se não explicar direito, como vou saber de quem você está falando? - Disse Nanda.
- Você sabe do que estou falando. - Afirmou Lorenzo.
Lorenzo já tinha recuperado a respiração, então, fechou a porta do quarto com cuidado e caminhou em direção a Nanda.
- Ele sequestrou a Tati. Até as gravações das câmeras na rua ele apagou. Se não estou errado, você já deve ter entrado em contato com ele. Guilherme, meu irmão, não é? Mãe. - Disse Lorenzo.
Ele já tinha percebido isso há alguns meses, quando voltou para Cidade R. Por direito, ele estava com uma cicatriz no rosto, completamente diferente da imagem que tinha naquela entrevista com jornalistas. No entanto, quando ele voltou à Mansão dos Borges, Nanda não perguntou mais do que o necessário sobre seu ferimento, sem mencionar que ela não era como antes, que explodia em gritos por qualquer assunto da empresa. Antes, qualquer pequeno problema na empresa significava enfrentar a forte repreensão de Nanda, mas agora ela nem sequer perguntava.
Mas naquela época, ele havia acabado de voltar da Cidade B e ainda não conseguia aceitar o fato de Tatiana e Rafael estarem juntos, negligenciando os problemas da família Borges enquanto mergulhava em sua apatia.
Para ele, o importante era manter o Grupo Borges da Cidade R seguro, especialmente sabendo que durante os três anos mais difíceis, Tati havia estado ao seu lado.
No entanto, agora não era mais possível se fazer de desentendido.
Ele não sabia qual era o propósito de Guilherme ao ir para Cidade R, mas baseado em seus comportamentos anteriores, se podia deduzir que era algo contra ele.
Se o "bom irmão" não vinha procurar por ele, certamente era um sinal de que tinha intenções de o manipular.
Mas as coisas nunca saíam como esperado. Embora as habilidades fossem alcançadas, ele continuava sempre a contrariar ela.
Contrariando uma mulher e um velho amaldiçoados por todos, protegendo cegamente aquela mulher, mesmo ela sendo quem realmente tinha boas intenções para com ele, mas olhe só o que ele fazia? Realmente merecia ser abandonado pela família principal!
As emoções se intensificavam a cada discussão, e assim, na erosão diária de uma pessoa, a imagem de outra criança que ele nunca tinha visto também era cada vez mais idealizada.
O que não se vê é sempre o melhor.
Quando ele realmente apareceu diante dos seus olhos, o egoísmo dela começou a agir sorrateiramente.
Ambos são seus filhos, por que ela não poderia escolher o mais obediente?
Nanda pensava assim, enquanto nutria ressentimentos contra Lorenzo, que estava diante dela, ferozmente questionando ela.
Ela havia se esforçado tanto para criar ele, que não havia priorizado ele em tudo, seja em casamentos ou em outras coisas. Em que não havia gastado seu esforço? Em que não havia sido para o seu bem?
O que ele havia feito afinal?
Nos últimos anos, por causa daquela mulher imprópria da família Garrote, cega de olhos e coração, e agora por outra mulher, se desgastava como um fantasma, verdadeiramente um reflexo de seu falecido pai!
Ela olhava para seu filho menor, abandonado, e pensava que mais cedo ou mais tarde ele acabaria como seu pai biológico, morrendo por uma mulher!
Nanda, com ressentimento no coração, não poupava Lorenzo.
- Se você veio por causa dessa mulher, pode sair agora mesmo! - Gritou Nanda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...