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Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia romance Capítulo 403

Presente?

O sequestro era um presente para ela?

Se não fosse pela situação atual, Tatiana apenas gostaria de revirar os olhos para ele.

Mas agora, ela tinha que conter todas as suas emoções.

Suas mãos estavam amarradas atrás da cadeira, dolorosamente apertadas. Ela mexeu os pulsos e sua voz soava um pouco rouca.

- Sr. Borges, seu jeito de receber os convidados é um tanto quanto inovador, não acha? Eu penso que poderíamos sentar e conversar decentemente, o que acha? - Sugeriu Tatiana.

A escuridão do cômodo amplificava sua voz, assim como o eco frio e sombrio de Guilherme.

Ele provavelmente havia trazido uma cadeira, cujas pernas raspavam no chão com um barulho irritante, como unhas arranhando uma madeira.

O ruído cessou e ele se sentou, sua voz soava prazerosa.

- Srta. Taís tem razão, deveríamos sentar e ter uma boa conversa. - Concordou Guilherme.

Tatiana ficou sem palavras.

Isso é o que ele chamava de uma boa conversa?

Ela quase pedia por socorro mexendo as cordas em seus pulsos, que apertavam dolorosamente. Não importava como ela se movia, as cordas apenas apertavam mais, cada vez mais firmemente.

- Srta. Taís, não se mexa tanto, essa corda é áspera, e nem me lembro como amarrei os nós no escuro. Quanto mais você se move, mais apertado fica, o que não é bom. - Disse Guilherme, ao ver os movimentos de Tatiana.

Guilherme não pôde deixar de elevar a voz em um tom de alegria, como se estivesse provocando um animal de estimação preso.

Irritada com sua atitude, Tatiana não se importava mais com sua própria segurança e não pôde deixar de repreender.

- O que você quer, afinal? Você me trouxe aqui e me amarrou apenas para conversar? - Indagou Tatiana, impaciente.

- Você finalmente perdeu a paciência? A pouco tempo atrás, você ainda tentava parecer calma, até mesmo sua voz tremia de medo, mas você queria conversar comigo seriamente. Agora você não está mais fingindo? - Zombou Guilherme.

Guilherme ignorava sua raiva, ainda com uma expressão de zombaria no rosto.

Tatiana mordeu o lábio, incapaz de ver claramente o rosto do homem à sua frente, vendo apenas uma figura sombria bloqueando sua visão.

Se não estivesse fisicamente restrita e incapaz de se mover, ela só levantaria o pé e chutaria a sombra diante dela.

Ela moderou um pouco a sua ira, se permitindo voltar à calma.

- Então, Sr. Borges, sobre o que você gostaria de conversar? Ou melhor, que presente você pretendia me dar ao me convidar aqui? - Perguntou Tatiana.

Provavelmente porque até agora esse homem não havia feito nada excessivamente cruel com ela, apenas a provocando verbalmente, o medo dentro dela recuou um pouco, enquanto ela tentava encontrar maneiras de ganhar tempo.

Guilherme, por sua vez, era paciente, mantendo uma postura relaxada sentado à sua frente.

- Presente? Sem pressa. Já que estamos ambos ociosos, que tal... - Disse Guilherme.

- Que tal o quê? - Interrompeu Tatiana abruptamente suas palavras.

Tatiana ficou em estado de alerta.

Embora até o momento ele não tivesse feito nada diretamente contra ela, considerando seu passado, ele definitivamente não era um homem de boas intenções.

Ele contratava assassinos e até usurpava a identidade de Lorenzo, dizendo coisas estranhas nas entrevistas, claramente um audacioso que não se preocupava com nada, quem sabe o que poderia fazer de repente.

A cautela de Tatiana foi percebida por Guilherme, que soltou uma risada leve.

- A Srta. Taís realmente é interessante. - Disse Guilherme.

Tatiana apertou os lábios, decidida a não falar mais, nem questionar sobre o que vinha depois do "que tal".

- Soltar você? Isso eu não posso fazer. Você me desapontou, preciso tirar alguma vantagem disso antes de te soltar, entende? - Disse Guilherme, com um sorriso frio e olhar baixo em seu rosto.

Então, ele ficou a admirando por alguns momentos antes de continuar.

- Eu realmente me arrependo, eu deveria ter cooperado com você desde o início, deixando uma beleza como você vagando por aí, com cicatrizes por todo o corpo. - Disse Guilherme.

Então, ele levantou a outra mão, tocando gentilmente o rosto de Tatiana, deslizando lentamente para baixo, ao longo de sua bochecha direita, lóbulo da orelha, indo em direção ao seu pescoço...

Mas seu gesto foi interrompido pelo ato de Tatiana.

Ela, sem se importar com a imagem, cuspiu na mão de Guilherme.

Afinal, só sua cabeça podia se mover, já que seus pés e mãos estavam amarrados com cordas de cânhamo, incapazes de se mover, só restava a ela resistir assim.

Guilherme ficou atônito, ele provavelmente não esperava tal ato repulsivo, especialmente vindo de uma dama da sociedade. Por um momento, ele manteve a mão suspensa no ar, como uma estátua.

Depois de um longo tempo, ele finalmente reagiu, quase instantaneamente apertando o pescoço de Tatiana, lentamente apertando mais.

Sua voz também não era mais preguiçosa como antes, mas envolta em um frio.

- Você é bastante corajosa. - Disse Guilherme.

- Faça o que quiser comigo logo, não há necessidade de ser tão repugnante! Eu te repugno de volta, assim estamos quites. - Disse Tatiana, com dificuldade.

Tatiana realmente não queria suportar tal tormento gelado, então, desafiadoramente, respondeu de volta, sem se importar com a força que apertava cada vez mais seu pescoço.

Afinal, no pior dos cenários, seria apenas sufocar na escuridão. Ela já havia passado por ferimentos antes, que medo teria de tais métodos diretos?

Ela estava apenas triste, tinha voltado para a família Orsi há tão pouco tempo, ainda não tinha passado tempo suficiente com seus pais, ainda não tinha visto Leo e Wilma se reconciliarem oficialmente, ainda não tinha assistido ao casamento de Gabriela e Edu, ela ainda queria ver Dani competindo no campeonato mundial...

Quando sua respiração ficava cada vez mais fraca, será que ela realmente morreria nas mãos desse homem?

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