As pessoas têm seus próprios desejos egoístas, não chegam a um ponto de desespero sem antes tentar agir de forma egoísta.
Sérgio hesitou por muito tempo, olhando timidamente para Tatiana.
- Taís, veja só o seu talento, se fosse apenas para manter ele escondido do mundo, não seria um desperdício? Seu avô materno deixou o Restaurante Flower principal para você, também esperando que você pudesse mostrar suas habilidades, e de quebra, te dar uma herança para se apoiar. - Explicou Sérgio.
- Mas tio, eu não preciso disso. - Insistiu Tatiana.
Tatiana interrompeu Sérgio impiedosamente antes que ele pudesse terminar.
A verdade dói mais porque pode destruir completamente as ilusões do coração.
Tendo a família Orsi como apoio, por que Tatiana precisaria trabalhar como uma cozinheira esforçada e ingrata no Restaurante Flower?
Apenas pela glória dos antepassados da família Siqueira?
Sérgio ficou sem palavras, parecendo desolado e paralisado.
A situação atual fez ele reviver algumas memórias...
Tatiana olhou para Sérgio, que estava silenciosamente desconfortável, e mordeu o lábio.
Ela entendia os desejos e as boas intenções dos mais velhos, mas ela realmente não queria sacrificar a si mesma, sem mencionar que ela pode não ser capaz de fazer bem essas coisas.
- Desculpe, tio, eu sou muito egoísta. Mas eu realmente não quero lidar com essas trivialidades. Você deve saber que estou me preparando para o assunto do estúdio, e provavelmente meu principal foco de trabalho estará lá. Mesmo que eu assuma o Restaurante Flower, talvez não tenha tempo para gerenciar ele bem. Deixar o restaurante nas suas mãos, como antes, certamente o fará continuar prosperando. - Explicou Tatiana.
Tatiana girou o contrato na mesa, empurrando ele em direção a Sérgio, com uma clara intenção.
Sérgio olhou para ela.
- Meu avô disse que, se discutíssemos isso em privado, o contrato também poderia ser alterado. Você se esforçou tanto por tantos anos, trabalhe só um pouco mais. - Disse Tatiana.
Sérgio sorriu baixo, sem tocar no contrato.
- E se eu não assinar? Seria errado eu pegar o que meu avô te deu. - Disse Sérgio.
Tatiana também sorriu.
- Então, talvez, esse empreendimento simplesmente vá à ruína. Eu acho que essa não é a cena que o senhor gostaria de ver. - Afirmou Tatiana.
Após uma vida de luta, quase metade dela passada numa cozinha, como poderia simplesmente doar um estabelecimento e tornar ele um patrimônio intocável?
- Taís, você está me pressionando? - Indagou Sérgio, com um tom ligeiramente resignado.
Tatiana manteve sua expressão inalterada.
- Você diz que estou te pressionando mas não são vocês que estão me pressionando? - Rebateu Tatiana.
Ela não queria aquilo, mas a carga era insistentemente colocada sobre seus ombros.
- Eu nunca tive grandes ambições, comecei a cozinhar apenas para sobreviver, para não ficar sem nada depois que a família Garrote me expulsasse, sem conseguir nem me sustentar. Eu realmente não pensei muito nisso. - Disse Tatiana.
Tatiana falou calmamente, se lembrando do passado com um certo distanciamento, como se fosse um sonho comparado à sua vida atual.
Agora, tudo que ela queria era estar bem com sua família.
O estúdio era apenas porque ela gostava de transformar as ideias em sua cabeça em realidade, nunca pensou em se tornar uma mulher de negócios como Violeta.
E a habilidade culinária que tanto orgulhava seu avô e seu tio, ela apenas queria cozinhar para sua família.
Não tinha interesse em servir outras pessoas ou clientes.
Com tantos pratos deliciosos pelo mundo, para que se incomodar em ser mais uma?
Ela só queria ser uma pessoa comum.
Viver em paz todos os dias, com sua família.
Sérgio finalmente entendeu o desejo da jovem.
O contrato provavelmente não seria assinado.
- Se você não quer lucro, como eu posso fazer você vir aqui ajudar de graça? Isso não pode acontecer! O que é público é público, o que é privado é privado, não venha trabalhar para mim de graça. - Disse Sérgio.
Rita já recebia um salário enquanto aprendiz lá, e depois como auxiliar de cozinha, seu salário aumentou ainda mais, mesmo sempre chegando tarde e saindo cedo.
Com o talento de Tatiana, ela poderia ser a chefe de cozinha, não se pode deixar alguém trabalhar de graça.
- Então, vamos fazer assim, vou receber o salário que recebia anteriormente no Restaurante Aroma, um dia de trabalho será pago como um dia de trabalho, o que você acha? - Sugeriu Tatiana.
Tatiana nem deu tempo para Sérgio pensar, apesar de ter perguntado, ela já havia decidido.
- Decidido então, se você ainda insistir em me pagar, então eu não virei. - Concluiu Tatiana.
Isso deixou Sérgio sem saída.
- Certo, então vamos fazer como você disse. - Concordou Sérgio, sem escolha.
Pensando no velho senhor, ele ainda falou baixo com Tatiana.
- Quanto ao contrato, pode ser transferido para mim, mas vamos manter isso em segredo do velho por enquanto, ele já está tão idoso, vamos aceitar para fazer eles felizes. Quando eles descobrirem, nós explicamos. Taís, o que você acha? - Comentou Sérgio.
Tatiana naturalmente não viu problemas.
- Certo, então quando eu tiver tempo, virei procurar você, tio. Mas vou deixar bem claro, se eu for cuidar da cozinha, terão que me ouvir. - Afirmou Tatiana.
- Claro! - Concordou Sérgio prontamente, e com a questão resolvida, sentiu um peso saindo de seus ombros, ficando extremamente feliz.
Tatiana também estava contente.
Ambos se levantaram das cadeiras, se viraram com sorrisos nos rostos.
Nesse momento, Giovanna apressada se aproximava deles, com uma expressão de preocupação que não conseguia disfarçar.
Ao ver Tatiana, Giovanna imediatamente segurou sua mão, com um tom de urgência.
- Taís, por favor, me leve ao hospital rápido, Leo disse que Geovane teve um acidente. - Disse Giovanna, com o rosto pálido e cheio de preocupação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...