Desprezo.
Arrogância e orgulho.
Com apenas algumas palavras, Rita descreveu o Aroma Restaurante como arrogante e presunçoso, se achando superior após ganhar alguns campeonatos e desprezando estabelecimentos menores como o deles.
Os competidores, em sua maioria jovens com temperamentos fortes, ficaram agitados com essas palavras e começaram a questionar em coro junto com Rita.
- Mesmo que o Aroma Restaurante não precise competir, não precisam nos insultar assim, né? - Ecoou a voz de uma pessoa.
- Isso mesmo, aceitar uma mulher como jurada até vai, afinal, hoje em dia as profissões não são divididas por gênero, mas colocar uma garota tão jovem como jurada é demais, não? Será que ela tem habilidade culinária suficiente para estar aqui julgando? - Questionou outro.
- Se o Aroma Restaurante despreza tanto este concurso, então por que mandar alguém? Não é só para nos desagradar? - Reclamou outro.
O clamor das reclamações crescia, enquanto Rita, à frente, exibia um sorriso frio.
Ela já havia provado as habilidades culinárias de Tatiana, reconhecendo seu talento, mas questionava se era apropriado para ela ser uma jurada. Mesmo que fosse, para Rita, isso não fazia sentido.
Ela simplesmente não podia aceitar.
Por que uma chef mais jovem do que ela deveria avaliar ela?
Tatiana merecia estar ali?
Se não fosse Tatiana, mas sim outra jovem desconhecida, Rita teria a mesma reação de rejeição.
Ainda mais porque a pessoa sentada ali era da família Orsi, que havia humilhado ela e sua mãe no dia anterior.
Os eventos na mesa de jantar pareciam ainda vivos em sua mente, fazendo ela se sentir humilhada só de pensar.
Uma mulher que foi abandonada por anos e pisoteada pela família Garrote como um cão, e agora sonhava em pisar nos outros após retornar à família Orsi.
Por que ela mereceria isso?
Rita conhecia bem o passado de Tatiana na Cidade R, onde era ostracizada e insultada, vivendo pior que os servos das mansões. Agora, mudando de status, essas humilhações deveriam ser esquecidas como se nunca tivessem acontecido?
Ela definitivamente não queria reconhecer essa prima, e agora, menos ainda queria ver Tatiana ali!
- Por que a discussão? - Interrompeu uma voz autoritária.
Tatiana parou de falar de repente, segurando o crachá de jurada e lentamente levantou o olhar. A multidão se dispersou, e um corredor se formou automaticamente, no fim do qual estava um velho vestido com trajes de chef, seus cabelos e sobrancelhas grisalhos, usando um alto chapéu de cozinheiro, e seu rosto enrugado estava cheio de descontentamento. Ele caminhava lentamente com as mãos para trás, emanando uma aura imponente. Quando esta pessoa apareceu, os jovens que estavam reclamando em voz alta também se calaram, sem ousar dizer mais nada.
Apenas Rita, com um sorriso, correu em sua direção, sua voz de repente suavizou.
- Vovô, como você veio aqui? - Perguntou Rita.
Tatiana franziu a testa por causa dessa chamada. A filha da família Soares da Cidade R, chamando um ancião de avô. Ela olhou para o velho com mais atenção. Sua face enrugada exibia autoridade, mas, com esforço, se podia perceber uma semelhança entre ele e sua mãe, Giovanna. A diferença é que Giovanna sempre foi gentil com ela, e seu belo rosto estava sempre sorridente, difícil de reconhecer se não olhasse atentamente.
Tatiana entendeu que o vigoroso ancião diante dela era seu avô materno.
"Definitivamente não é uma boa hora para um encontro."
Ela pensou, mas não se importou com o modo como Rita se referia ao avô. Atualmente, Rita estava morando na Mansão da família Siqueira, e no concurso de hoje, ela apareceu como aprendiz do Restaurante Flower, claramente destinada a entrar na linhagem da família Siqueira. Chamar alguém de avô era normal.
Tatiana estava mais preocupada se deveria se dirigir ao seu avô com respeito naquele momento ou se seria melhor esperar uma ocasião mais formal. Infelizmente, a realidade não deu a Tatiana tempo para pensar, porque ela se distraiu e não ouviu o que Rita e o avô disseram, agora, os dois já estavam diante dela.
- Eu também não aceito! - Comentou outro.
Muitas pessoas atrás dele concordaram.
Fábio, com as mãos nas costas, não respondeu.
Ele não disse nada sobre cancelar a jurada do Aroma Restaurante, nem se apressou em questionar Tatiana, apenas franzia a testa olhando para ela.
Tatiana sorriu, desconsiderando o olhar de Fábio, apoiando o queixo e olhando alegremente para o grupo de jovens.
- Um por um, vocês têm bastante garra, só que a inteligência deixa a desejar. Incitados por algumas palavras de uma mulher, ficam todos emocionais, cheios de fervor, mas sem usar a cabeça. Parece que vocês ainda não tiveram muito contato com a sociedade, ainda estão estudando, não é? - Zombou Tatiana.
- O que você quer dizer com isso? - Indagou o jovem líder olhando furiosamente para Tatiana.
Tatiana não se irritou.
- Não entendeu? Parece que seu nível cultural é meio fraco, em que série você está? - Retrucou Tatiana.
Olhando para a idade dele, deveria ter por volta de dezesseis anos.
Mas nesta profissão, a situação é diferente, alguns cozinheiros dependem do talento, não importa a idade, como ela que começou a aprender a cozinhar na adolescência, e sua prima de vinte e poucos anos provavelmente começou a aprender nos últimos anos.
Outros dependem do esforço, como seu aprendiz Henrique.
E este jovem à frente, claramente um talentoso natural, jovem e confiante, provavelmente um bom prospecto.
Pena que seja demasiado impulsivo e não suficientemente estável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...