— Hã?
A pergunta repentina deixou Oceana Amaral momentaneamente perplexa.
— Não é nada. É que, quando fui fazer a ronda da tarde, ouvi a Paola comentar que você tinha saído.
Francisco Barros mantinha uma expressão serena. Continuava organizando planilhas e documentos com as mãos, sem demonstrar a menor anormalidade.
Oceana Amaral mordeu os lábios, um pouco sem graça, mas acabou explicando com suavidade:
— Sim, eu saí. Tinha uns assuntos para resolver.
Quanto ao que eram esses assuntos, ela preferiu não entrar em detalhes.
Francisco Barros assentiu com a cabeça e não insistiu. No entanto, após um breve momento de silêncio, ele perguntou de repente:
— Já jantou?
Como acabara de chegar da rua, Oceana Amaral obviamente ainda não tinha comido. Além do mais, eram apenas seis da tarde, o horário em que o jantar costumava ser servido.
Contudo, a resposta que saiu de sua boca foi:
— Ah, eu fiz um lanche da tarde bem reforçado hoje. Ainda não estou com fome.
A mensagem nas entrelinhas era de que ela não pretendia jantar tão cedo.
Francisco Barros, que no fundo pensava em convidá-la para comer, parou levemente o que estava fazendo com os papéis e, com a maior naturalidade do mundo, respondeu:
— Entendo, tudo bem.
...
Fátima Miranda passou o dia inteiro no hospital, com a cabeça longe.
Mas, por mais triste que estivesse, ela tirou o casaco, vestiu o avental e caminhou em direção à cozinha.
Naquele momento, a sua mente só conseguia pensar em Fabiano Nunes. Acreditava que, não importava o que tivesse acontecido, ele precisaria comer quando chegasse, e ela não suportava a ideia de deixá-lo com fome.
A comida que sobrou da noite anterior tinha sido jogada fora naquela mesma manhã. Como Fabiano Nunes não tinha o hábito de comer refeições requentadas, Fátima Miranda precisava cozinhar tudo fresco todos os dias.
Ela preparou uma costela de panela, um ensopado de peixe bem temperado e ainda fez uma travessa de legumes refogados.
Quando terminou, olhou para o relógio e se assustou ao ver que já eram oito e meia da noite. Porém, não havia sinal de Fabiano Nunes e nem sequer uma mensagem dele no celular.
Depois de colocar os pratos na mesa, Fátima Miranda ficou ali parada, com o aparelho em mãos. Olhava para a conversa com Fabiano Nunes, digitava e apagava a mesma frase várias vezes, até que finalmente perdeu a coragem de perguntar a que horas ele voltaria.
A enorme casa estava mergulhada em um silêncio absoluto. Como moravam em um condomínio fechado de alto padrão, a segurança e a área verde ao redor eram impecáveis, garantindo que o local fosse extremamente tranquilo após o anoitecer.
Fátima Miranda sentou-se à mesa, com o olhar perdido enquanto via a comida quente esfriar aos poucos. O seu peito transbordava de pânico e angústia, mas não havia absolutamente nada que ela pudesse fazer.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!