João Cavalcanti tinha acabado a cúpula do setor na parte da manhã, quando saiu do Centro de Convenções Atlas ao lado de um grupo de presidentes de empresas.
As pessoas andavam em direção ao estacionamento, conversando lado a lado. A postura de João Cavalcanti era reta e ele andava um pouco à frente do grupo, segurando um cigarro recém-recebido entre os dedos. Ele não o acendeu, apenas ouviu os demais conversarem sobre os próximos roteiros de cooperação com um ar distante e frio característico.
Nádia Santos andava meio passo atrás dele. De tempos em tempos, acrescentava algo com um sorriso e não apenas reforçava o profissionalismo, como não deixava o Grupo Cavalcanti ficar por baixo.
Ao chegarem ao local do estacionamento, um dos chefes sorriu e se despediu antes.
João Cavalcanti passou o cigarro que não fumou para Nádia tratar e depois foi andando diretamente em direção ao carro estacionado.
Bem na hora de abrir a porta do carro, percebeu de repente um risco na porta; a extensão não era muito grande.
Ele franziu as sobrancelhas, pronto para tirar o telefone do bolso para fazer a ligação, quando de repente uma mulher apareceu ao lado dele:
— Desculpe, você é o dono deste carro?
João Cavalcanti então olhou para trás e o movimento da mão nitidamente parou ao avistar o rosto da mulher.
Mas, segundos depois, ele desviou o olhar com uma voz amena:
— Sou.
— Sinto muito de verdade, acabei arranhando seu carro sem querer. Bom, se quiser definir o valor do reparo, eu mesma posso pagar o dano. — Silvana Nunes apertou firmemente a bolsa nas mãos, mantendo-se totalmente encolhida e cautelosa.
João Cavalcanti abriu o QR Code de recebimento no celular:
— Vinte mil, sem mais e sem menos.
Silvana Nunes paralisou por um instante e logo concordou:
— ...Certo, vou transferir.
Após ela passar os vinte mil reais pelo escaneamento, e ele receber, abriu a porta para entrar no carro.
Silvana Nunes ficou aflita:
— Por favor senhor—
A mão dele fechando a porta pausou, e ele se virou para trás:
— Mais alguma coisa?
— Sabe, será que eu poderia pedir seu contato? Se houver algum problema a mais no futuro, podemos nos comunicar. — Silvana Nunes forçou um sorriso, embora a mão segurando o celular não parasse de tremer.
João Cavalcanti observou com uma expressão pensativa e de repente virou o rosto para retirar do porta-luvas um dos cartões de visita de Nádia Santos:
— Se houver algo, fale com a minha secretária, obrigado.
O sorriso de Silvana Nunes congelou, e ela pegou o cartão com relutância.
A pessoa do outro lado bateu a porta e foi embora dirigindo.
— Você está de saída?
— Hum, vou trabalhar. — Hector Rocha remexeu nos bolsos, com uma atitude de parecer atarefado, mantendo a cabeça baixa para tentar passar direto pelo outro sem dar tanta atenção.
Se puder desviar, seria a sua escolha ideal; dane-se o resto!
Após deixar a outra pessoa ir, João Cavalcanti ficou com um leve riso sem opção nos lábios, indo na direção do final da porta.
Ele bateu a campainha.
Um tempo depois, atrás das portas, pôde ser ouvida a voz da Clara:
— Quem é?
Dessa vez ela parecia estar aprendendo a ser mais inteligente.
— Sou eu.
Nem sequer deu um tempinho e a Clara soltou a cabeça pela porta. Sem no entanto abri-la por inteiro:
— Por que você voltou? O dia hoje está atoa na agenda?
O cabelo dela desleixado, com nenhum produto de maquiagem que fosse passado sobre o rosto. Ela visivelmente não se produziu pra ele e sem contar que estava sendo absurdamente adorável e cativante da mesma maneira.
João Cavalcanti relembrou de repente no mesmo instante daquela mulher vista lá no estacionamento. Mesmo que ela mantivesse as tais similaridades de uns quarenta por cento, com certeza não poderia em nenhum momento superar aquela moça em sua frente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...