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Apenas Clara romance Capítulo 658

— Por favor, assinem aqui. — O funcionário colocou o acordo escrito diante dos dois. — O divórcio ainda requer um período de reflexão. Dentro de 30 dias, qualquer das partes pode retirar unilateralmente o pedido.

Clara Rocha pegou a caneta, assinou o nome e empurrou para João Cavalcanti.

João Cavalcanti olhou por um bom tempo, até pegar a caneta e assinar o nome. Ela confirmou a assinatura dele, para só então se levantar para sair.

Quando chegou à porta, o homem atrás a chamou.

— Clara Rocha.

Ela parou os passos, virou-se para ele e disse num tom tão calmo que não se podia perceber qualquer emoção: — Você não vai voltar atrás, né?

João Cavalcanti a observou por um longo tempo, até o rosto endurecido abrir um sorriso: — Espero que você seja despreocupada, leve e feliz, mesmo sem mim.

A respiração de Clara Rocha ficou tensa. Ela instintivamente evitou o olhar dele: — Eu serei.

Em seguida, ela entrou no carro sem olhar para trás.

No momento em que a porta do carro se fechou, ela encostou-se no banco, ergueu a cabeça e levou a mão para enxugar as lágrimas que caíam. Ao ver a figura parada do lado de fora da janela, as lágrimas, como um fio rompido, colapsaram junto com a emoção.

Não havia desespero nem ressentimento, e muito menos era um sentimento não correspondido.

Aquilo doía dezenas de milhares de vezes mais do que no dia em que ela se divorciou de João Cavalcanti no passado e deixou a Cidade Capital.

Enquanto isso, no veículo indo na direção oposta, o olhar de João Cavalcanti continuava voltado para fora da janela, cheio de uma tristeza insolúvel.

Em sua mão, ele esfregava uma pequena caixa quadrada. Ali dentro ficava o anel de diamantes que ele planejava entregar na festa de noivado, mas que no fim nunca pôde ser entregue.

O carro estacionou do lado de fora da porta principal do Grupo Cavalcanti. Naquele momento, um bando de repórteres bloqueava a entrada. Ao verem o carro de João Cavalcanti, a multidão correu para cercá-lo como a maré.

Foi nesse momento que alguém jogou a garrafa de água mineral na direção dele.

Quando Nádia Santos percebeu, já era tarde demais. A garrafa de água mineral estava cheia de tinta vermelha, e foi jogada toda nele. O sobretudo escuro ficou instantaneamente manchado com um vermelho forte.

Ele teve a bochecha um pouco respingada, e gotículas finas atingiram os seus olhos. Em um instante, todos em volta ficaram chocados. Os flashes das câmeras dispararam com ainda mais pressa, o som do clique da câmera caindo sobre eles.

Nádia Santos se assustou e ficou pálida. Ignorando as manchas no próprio corpo, ela estendeu a mão para limpar o rosto dele, e virou-se com pressa, repreendendo os seguranças com raiva, pedindo para conterem o ambiente: — Segurem-no! Rápido!

Os guarda-costas e seguranças reagiram rapidamente e imobilizaram a pessoa que jogou a tinta.

João Cavalcanti esfregou o maxilar com o polegar, removendo um traço escarlate. Com o olhar baixo, analisou as manchas na roupa. A ponta dos dedos segurou a pequena caixa no bolso levemente, e as pontas dos dedos ficaram brancas. Mas ele não demonstrou muita expressão no rosto; apenas o pomo de adão se moveu. Aquele ressentimento subiu, e ele engoliu a seco.

Ele pegou o lenço que Nádia Santos ofereceu e limpou a lateral do rosto casualmente. Continuou andando em direção ao prédio em passos lentos e pesados. Não se abalou em momento algum. A sensação de frieza à sua volta tornou-se ainda mais pesada do que antes, forçando os repórteres barulhentos ao seu redor a calarem a boca subconscientemente. Não tiveram escolha a não ser ceder o caminho para ele.

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