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Apenas Clara romance Capítulo 5

O semblante de João Cavalcanti se fechou, prestes a soltar Chloe Teixeira, mas ela o segurou pelo braço.

— João, ainda não estou me sentindo bem… Você pode me acompanhar até a farmácia para pegar o remédio?

Ele franziu o cenho, desviando o olhar da silhueta que acabara de sumir, e respondeu com um breve “hm”.

João Cavalcanti acompanhou Chloe Teixeira até a farmácia. Lá, ao receber o medicamento, Chloe se virou para ele, percebendo seu ar distraído, e se aproximou com um sorriso.

— João, o Xixi quer estudar em uma escola particular, mas ele não tem registro aqui. Pensei se você poderia, temporariamente, transferir o registro dele para o seu nome…

Temendo uma recusa, Chloe acrescentou:

— Fique tranquilo, é só por um tempo, ninguém jamais vai saber.

João Cavalcanti a fitou demoradamente.

Chloe Teixeira, sem coragem de desviar o olhar, apertou as mãos em silêncio.

— João, você… ficou chateado?

— Não seria apropriado registrar ele no meu nome — respondeu João Cavalcanti, inexpressivo. — Posso pedir para minha mãe reconhecê-lo como filho adotivo.

Chloe Teixeira ficou em silêncio.

Filho adotivo da família Cavalcanti…

Isso não o colocaria no mesmo nível de João?

O próprio filho dela passaria a ser, nominalmente, “irmão” dele… E ela, que papel teria?

João a encarou, os olhos ainda mais profundos e sérios.

— Não quer?

Chloe Teixeira não ousou demonstrar o que sentia.

— Não… Faça como achar melhor.

Ele assentiu, encerrando o assunto.

Chloe apertou ainda mais os dedos.

No fundo, estava insatisfeita.

Mas sabia que não podia apressar as coisas.

Se seu filho entrasse para a família Cavalcanti e conquistasse a simpatia dos mais velhos, por que ela não poderia dar a volta por cima?

…

João Cavalcanti não voltou para casa naquela noite.

Antes, Clara Rocha costumava deixar uma luz acesa esperando por ele, mas agora, isso não fazia mais sentido.

Sua presença — ou ausência — já não importava.

Na manhã seguinte, Clara se preparava para sair rumo ao hospital quando, ao descer, encontrou-se com Chloe Teixeira e o filho.

Ela pretendia passar direto, mas Chloe a chamou:

— Dra. Clara.

Clara Rocha parou e se virou.

— Precisa de algo?

— Dra. Clara, você… não gosta de mim? — perguntou Chloe, fitando-a.

Samuel Teixeira, ao ver a mãe sendo “empurrada”, veio correndo e empurrou Clara.

— Sua mulher má, não empurre minha mãe!

O celular de Clara caiu no chão.

Samuel, indignado, pisoteou o aparelho algumas vezes.

— Você não tem educação nenhuma! — Clara só afastou o menino, que caiu sentado e começou a chorar alto.

João Cavalcanti chegou nesse momento, parou o carro ao lado e desceu apressado, passos largos.

— Clara Rocha!

No desespero, ele sequer se preocupou que Chloe pudesse perceber a intimidade entre eles, chamando-a pelo nome.

— Papai! Essa mulher má empurrou minha mãe! — Samuel chorava, sentindo-se profundamente injustiçado.

Chloe se virou para verificar se o filho estava ferido, o rosto fechado.

— Dra. Clara, se tiver algum problema, pode falar comigo, não precisa descontar em uma criança!

Clara Rocha respirou fundo, cerrando os dentes de tanta raiva.

— E o fato do seu filho ter pisado várias vezes no meu celular, a senhorita não vai comentar?

Chloe desviou o olhar.

— Xixi… não fez por mal.

— Uma vez, pode até ser acidente. Agora, várias vezes, foi de propósito!

— Clara Rocha — a voz de João Cavalcanti já trazia um toque de indignação.

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