Entrar Via

Apenas Clara romance Capítulo 404

João Cavalcanti baixou a cabeça e pediu desculpas a ela.

Clara Rocha ficou atônita por alguns segundos. Quando recobrou a consciência, empurrou o peito dele com o cotovelo, tentando se desvencilhar.

— Estou tonta.

Ele não a soltou. Seus olhos intensos a observavam fixamente.

— Sempre que você não quer que eu te toque, arranja uma desculpa.

Clara Rocha ficou subitamente tensa, mas não reagiu. João Cavalcanti a pegou no colo, de surpresa.

Seu coração disparou.

— O que você está fazendo?!

Ele a colocou na cama. Ela rapidamente puxou o cobertor, enrolando-se toda. Já prevendo a reação dela, ele sorriu, amargo, ao ver sua postura defensiva.

— Se eu realmente quisesse te forçar, acha mesmo que conseguiria se esconder de mim?

O rosto de Clara Rocha ficou sombrio, como se estivesse prestes a dizer algo duro.

A voz de João Cavalcanti saiu rouca.

— Não vou mais te obrigar a nada.

Ela ficou imóvel, olhando para ele com hesitação.

Embora Clara Rocha tivesse dificuldade em acreditar nas palavras de João Cavalcanti, era a primeira vez que o via abrir mão das próprias convicções, diminuindo-se diante dela.

O amor pode tornar as pessoas humildes.

Ele devia ter sentido isso agora.

Clara Rocha não respondeu imediatamente. Ele permaneceu sentado à beira da cama por um tempo, então desviou o olhar e se levantou devagar.

— Descanse cedo.

Ele saiu do quarto.

Clara Rocha acompanhou o movimento dele com os olhos. Talvez por causa do vinho, sentia-se tomada por um turbilhão de emoções...

Talvez, depois de dormir, tudo se acalmasse.

…

No dia seguinte, hospital na periferia da cidade.

Chloe Teixeira acordou ainda tomando soro. Uma médica entrou com sua ficha na mão.

— Sra. Teixeira, seu quadro requer observação por pelo menos dois dias. Tem algum familiar que possa acompanhá-la? Marido, ou talvez os pais?

A voz de Chloe saiu rouca.

— Não tenho família...

A médica hesitou, encarando-a.

— Nem namorado?

— Não tenho. — Chloe demonstrou impaciência. — Se há algum problema, pode falar logo.

— Você não percebeu? Quando foi trazida ao hospital, havia lesões graves e sangramento. Por isso perguntei. — A médica explicou, com calma. — Se você sofreu algum tipo de violência, recomendo que acione a polícia.

Gustavo Gomes notou o desconforto e franziu a testa, desconfiando.

— Você está... me evitando?

Ela hesitou por alguns segundos e balançou a cabeça.

— Não é isso.

— Tem certeza? — Gustavo se aproximou de repente. — Naquele dia você estava estranha, não consegui deixar de pensar que ouviu alguma coisa.

A franqueza dele a deixou sem reação.

A hesitação dela foi suficiente para que Gustavo confirmasse sua suspeita. Ele sorriu de leve.

— Então você ouviu mesmo. Conta, o que escutou?

Clara mordeu os lábios, forçando um sorriso, coçando a bochecha, sem saber como agir.

— A Sra. Gomes disse que você gosta de mim, mas acho que não é bem assim...

— E se for verdade?

Ele respondeu com calma.

Clara ficou imóvel, levantou o olhar.

— Mas nós nos conhecemos há pouco tempo...

Gustavo Gomes disse:

— Nós já nos vimos antes.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara