Os dois irmãos se entreolharam e, por fim, Francisco soltou um riso abafado.
Ele deu um leve soco no ombro do irmão e sussurrou: — Não vá embora. Já que você começou a acompanhar essa fofoca, fique até o fim. Se você sair e eu ficar sozinho com ela no escritório, a sua cunhada pode ficar sabendo, interpretar mal e arruinar as minhas chances de reconquistá-la.
Dizendo isso, ele deu um passo para o lado, permitindo que Senhor Gustavo entrasse.
Como também queria ver o desenrolar da situação, Senhor Gustavo entrou.
Francisco fechou novamente a porta do escritório.
Os irmãos caminharam até o sofá e sentaram-se de frente para Cíntia.
O estado emocional de Cíntia havia se estabilizado um pouco. Ela não chorava mais, mas seus olhos continuavam vermelhos.
Ao ver Senhor Gustavo retornar, ela percebeu que Francisco o havia chamado de propósito, temendo que ela tentasse algo novamente.
Aquele homem realmente não a amava mais!
Ela já havia sentido isso antes, mas recusava-se a aceitar. Ela achava que, por terem crescido juntos, o vínculo entre eles era muito forte, e que ninguém jamais poderia tomar o seu lugar no coração de Francisco.
Ela estava enganada.
Francisco não ia esperar por ela para sempre.
Ele já havia dado as costas e caminhado em direção a Daniela.
— Cíntia, vou pegar um copo de água para você.
Senhor Gustavo levantou-se, foi até a copa e voltou com dois copos de água em temperatura ambiente.
Trouxe também alguns petiscos e frutas.
— Cíntia, coma alguma coisa. A copa do escritório do meu irmão sempre tem alguns lanches.
Cíntia observou os doces que Senhor Gustavo havia trazido. Eram muito bem feitos e pareciam deliciosos.
No entanto, ela percebeu de imediato que não eram os mesmos de antes. Os lanches antigos eram os seus favoritos, preparados diariamente pelo confeiteiro da casa de Francisco e enviados para a empresa por ordem de Juliana.
Francisco os guardava na copa para oferecer aos clientes e, principalmente, a ela.
Eram preparados especialmente para ela, pois tudo o que ele costumava manter ali, fossem doces ou frutas, era do seu agrado.

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