Ela disse ao sogro: — Pai, Wilson tem estado muito ocupado ultimamente e está exausto. Vou levar uma sopa nutritiva para ele recuperar as energias.
— Eu também vou almoçar com o Wilson. O senhor e a Tia Giovana podem comer, não se preocupem comigo.
Davi ponderou: — Por que não come antes de levar para ele? Lá não falta comida, o refeitório da empresa é excelente e ele pode comer em qualquer restaurante fora.
— Não, eu vou almoçar com o Wilson.
— Tudo bem. Mas não dirija, peça ao motorista para levá-la.
— Eu sei, pai. Já vou indo.
Cíntia saiu carregando duas garrafas térmicas com o almoço. Assim que ela partiu, Giovana comentou: — O primo dela veio visitar e ela nem o convidou para almoçar. Não tem o menor senso de hospitalidade.
— Ela foi até a empresa comer com o Wilson só porque detesta olhar para mim e para o meu filho. Desde que nós dois entramos nesta casa, aquele casal nunca nos tratou bem.
Giovana entrelaçou o braço no de Davi e disse: — Davi, ainda bem que você nos protege, senão eu e o meu menino seríamos massacrados pelo seu filho e sua nora.
— Basta ver como eles tratavam a Wilma. Ela era a mãe da casa, mas na frente daquele casal, parecia só uma empregada. Eles a humilhavam o tempo todo.
— Você acha mesmo que a Wilma insistiu tanto no divórcio só porque eu entrei na vida de vocês? A verdade é que o seu filho e a sua nora eram tão cruéis com ela que a coitada já não aguentava mais.
Davi permaneceu em silêncio.
Ele tinha plena consciência da atitude do filho e da nora em relação a Wilma Monteiro.
Contudo, por se tratar do seu próprio filho, a sua tendência era sempre tomar o partido dele. Por isso, nunca interveio. Quando Wilma tentava desabafar, ele apenas a aconselhava a não levar as atitudes dos mais novos a sério.

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