Ao ver a expressão angustiada e indecisa de Cíntia, Tassia percebeu na hora que a amiga não queria o divórcio.
Ela conseguia entender perfeitamente os motivos de Cíntia.
Era evidente que agora Francisco estava apaixonado por Daniela. Ele já não demonstrava a mesma devoção de antes por Cíntia; ao contrário, havia criado uma barreira, com medo de que Cíntia tentasse se aproximar e insistisse com ele.
Tassia havia observado atentamente tudo o que acontecera naquela noite.
Se Cíntia não conseguisse segurar Wilson também, acabaria morrendo de tanta angústia.
Afinal, ela e Wilson eram legalmente casados, o vínculo afetivo entre os dois era muito mais enraizado.
Os laços que os uniam eram profundos demais para serem facilmente desfeitos.
— Você ainda quer continuar o seu casamento com o Wilson, não é? Se for o caso, então invista mais tempo nele, faça com que o coração dele volte a ser seu.
— Eu acredito que ele ainda te ame muito, caso contrário, já teria ido para a cama com a secretária há muito tempo.
— Basta você ser mais atenciosa, passar mais tempo com ele e agir como se nada tivesse acontecido. O amor dele vai voltar para você.
— Tassia, minha cabeça está a milha, eu não sei o que fazer. Traz mais umas taças para mim, eu quero encher a cara. — disse Cíntia, enxugando as lágrimas de forma brusca.
Ela costumava se orgulhar de sua postura de dama, por isso raramente passava dos limites na bebida.
Mas naquela noite, ela queria se permitir a embriaguez.
Tassia suspirou, mas se levantou, levou a bandeja e retornou logo depois com mais algumas taças de vinho.
Depois disso, Tassia ficou ao lado de Cíntia, assistindo a amiga virar uma taça após a outra.
A resistência de Cíntia para o álcool era impressionante. Ela esvaziou todas as taças que Tassia havia trazido antes de sequer começar a demonstrar os primeiros sinais de embriaguez.
— Tassia, isso aqui não tem graça. Traz umas bebidas mais fortes, eu quero destilado.
— Cíntia, o seu rosto já está vermelho. Chega de beber, a ressaca depois vai ser insuportável.
— Eu já estou achando tudo insuportável agora. — desabafou Cíntia, em agonia. — Se eu ficar bêbada, vou conseguir dormir a noite toda e pelo menos esquecer dessa dor por um tempo. O quanto vai doer quando eu acordar amanhã... é problema para amanhã. Eu não ligo para isso agora.
— Vamos aproveitar a bebida de hoje e esquecer o mundo. Deixemos as preocupações de amanhã para depois.
Tassia, logicamente, ocultou a verdadeira razão.
Afinal, Cíntia ainda queria manter seu casamento com Wilson.
— Tassia, eu ainda estou no meio de uma conversa de negócios com dois empresários. — justificou Wilson em tom baixo, após se afastar um pouco do grupo. — Veja se encontra o Francisco por aí e peça para ele dar uma olhada nela para mim. Daqui a pouco eu entro e a levo para casa.
— O Francisco já foi levar a Daniela para casa, você não sabia disso? — retrucou Tassia, ainda mais impaciente. — E tem mais, a Cíntia é sua esposa! A sua esposa está bêbada, por que diabos você quer que seu amigo cuide dela?
— Esses negócios são mais importantes que a Cíntia? Vem logo buscar sua mulher e levá-la para casa. A chuva já parou, eu também estou indo embora.
O temporal lá fora realmente havia cessado. O horário já estava avançado e a maioria dos convidados preparava-se para partir.
Tassia não era exceção.
Wilson lançou um olhar para o pai e para os dois executivos. Após pensar por um segundo, respondeu:
— Está bem, vou dar um aviso ao meu pai e já levo a Cíntia para casa. A que horas o Francisco e a Daniela foram embora? Eu não reparei mesmo.

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