Daniela, alheia ao fato de que Gilson e Cíntia haviam se aliado para destruí-la, sentiu uma angústia inexplicável durante o banquete.
— O que foi?
Victor, ao seu lado, percebeu a mudança no seu estado de espírito e perguntou com preocupação.
— Não está se sentindo bem?
Daniela balançou a cabeça e murmurou:
— Não sei o que está acontecendo, mas de repente me deu um aperto no coração.
Victor correu os olhos pelo ambiente, mas não notou nada de incomum. Ele a confortou:
— Não se preocupe, eu a levo para casa daqui a pouco. Ou melhor, podemos ir embora agora mesmo, se quiser.
Daniela não tinha mais vontade de ficar e concordou:
— Vamos avisar ao Senhor Freitas e ir embora.
— Sinto que ficar aqui não me faz bem; é como se uma força invisível me apertasse o pescoço, me deixando sem ar e angustiada.
— Se não está se sentindo bem, nós vamos. Precisamos confiar no nosso sexto sentido.
Victor falou num tom suave:
— Vamos lá avisar o Senhor Freitas.
Daniela não recusou.
Ela e Victor encontraram o anfitrião, Senhor Freitas, e pediram desculpas, alegando uma urgência. O anfitrião, educadamente, não insistiu para que ficassem.
Daniela também procurou Janaina e Elisa, avisando que não se sentia bem e precisava ir para casa descansar.
As duas demonstraram preocupação e fizeram algumas perguntas, mas Daniela não soube explicar o motivo. Como ela estava pálida, recomendaram que fosse ao hospital se não melhorasse após chegar em casa.
Ao sair do hotel, a brisa noturna soprou sobre Daniela, aliviando um pouco a sensação opressiva em seu peito.
— Daniela.
A voz familiar chamou-a pelas costas.
Ela parou e se virou, vendo Francisco, que os havia seguido até o lado de fora.
— Algum problema?
Francisco lançou-lhe um olhar profundo.
— Você... já vai embora?
Impedindo-a de sair com Victor.
— Se você vai para casa, eu a levo. Meu caminho é o mais direto.
— E tem mais, não me chame de Senhor Pinto. Nos conhecemos há vinte anos. Mesmo divorciados, podemos ser amigos. Não me trate como um estranho.
Daniela tentou soltar o braço duas vezes, sem sucesso. Com o rosto fechado, exigiu com severidade:
— Francisco, solte-me, por favor!
— Não existe mais nada entre nós. Francisco, você não precisa fazer isso. A nossa história acabou há muito tempo e eu não vou voltar atrás!
Victor colocou a mão sobre o punho de Francisco que segurava Daniela, apertando-o com força, e alertou num tom grave:
— Francisco, não force a Daniela. Peço que a solte. Você é forte e vai acabar machucando-a.
— Você já a fez sofrer muito na vida. Quer machucá-la ainda mais?
Francisco fulminou Victor com o olhar e rosnou friamente:
— Victor, isso é entre mim e a Daniela. Não tem nada a ver com você. Saia do caminho!
— Francisco, esta noite, Daniela é a minha acompanhante. Você a agride e ainda diz que não tenho nada a ver com isso?

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