— A Senhorita Nunes já é uma deusa por natureza.
Juliana evitava chamá-la de senhora na sua frente, pois sabia que Daniela não gostava.
Daniela sorriu:
— Eu só tenho um pouquinho de charme. Juliana, Francisco está esperando lá fora?
Se ele não estivesse ali, Juliana não teria ido interrompê-la.
A governanta agora recebia o salário pago por ela e trabalhava sob suas ordens, mas seu coração continuava leal a Francisco.
Daniela não a culpava por isso.
Juliana praticamente vira Francisco crescer. Quando ele comprou sua própria casa e saiu da mansão da família, ela o acompanhou como governanta. Era de uma lealdade inabalável, sendo perfeitamente natural que tomasse o partido dele.
Na vida passada, Juliana não tivera o menor respeito por ela como patroa, e Daniela até a temia, tudo porque Francisco a tratava com indiferença.
Bastava que Francisco tivesse mostrado um pouco de respeito por ela, e Juliana, assim como os demais empregados, jamais ousaria destratá-la.
A vida que levara na encarnação anterior fora deprimente demais; até os funcionários se sentiam no direito de menosprezá-la.
— O senhor disse que também vai ao banquete e, como é caminho, pensou em esperar a senhorita para saírem juntos.
Daniela permaneceu em silêncio.
Juliana espiou sua expressão e, no fim das contas, preferiu não interceder a favor de Francisco.
Momentos depois, Daniela pegou a bolsa e virou-se para a governanta:
— Juliana, estou saindo. Pode ser que eu volte tarde. Deixe a porta encostada para mim, não precisa ficar acordada esperando.
— Não se preocupe. Como eu moro aqui agora, posso me levantar para atendê-la a qualquer hora. Apenas tente não beber demais. E se o senhor estiver bebendo muito, peço que a senhorita também tente controlá-lo um pouco.
Daniela respondeu enquanto caminhava em direção à saída:
— Isso é problema dele. Não tenho autoridade nem motivo para me meter.
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