— O que foi agora?
O tom de Davi era de puro cansaço.
Jonas descia as escadas. Ele estava de férias, e seu pai havia ido buscá-lo na escola, trazendo-o direto para a mansão da Família Vieira. Ele mal havia terminado de arrumar suas coisas. O pai pedira para a cunhada preparar um quarto bem espaçoso para ele.
E era muito iluminado. Ele examinou o quarto; era enorme, com excelente luz natural, e todos os móveis haviam sido trocados por novos. O pai ainda comentara que a cunhada só não tinha reformado o espaço inteiro porque faltou tempo.
Disseram que o irmão e a cunhada ficariam felizes em recebê-los.
Jonas tinha certa semelhança com Wilson, mas era a cara de Davi. Parecia um molde perfeito do pai.
Era um rapaz de traços suaves, tirava boas notas, falava bem e sabia usar as palavras. Davi era encantado por ele. Se ele não fosse tão brilhante, Giovana não teria chegado ao poder com tanta facilidade.
— Mãe, o que aconteceu?
Assim que pisou no térreo e ouviu o choro da mãe, Jonas se aproximou rapidamente e perguntou, preocupado.
Ao ver Wilson e Cíntia, uma sombra cobriu seu rosto ainda jovem, e ele lançou um olhar glacial sobre o casal.
Daniela se ajeitou no lugar, diminuindo a distância entre ela e Francisco, e murmurou:
— O filho mais novo do Tio Vieira não é pouca coisa.
Francisco também sussurrou:
— Nem a mãe dele é. Ele cresceu carregando o peso de ser um filho ilegítimo, e ainda assim tem uma mente perfeitamente sã. Dá para ver que ele é muito resiliente. Não me admira que Wilson fique tão furioso e tente impedir a todo custo o casamento do Tio Vieira.
Se o irmão fosse um inútil, Wilson não precisaria se preocupar. No máximo, dividiria uma pequena quantia da fortuna para ele não morrer de fome, e a maior parte dos bens da Família Vieira continuaria sendo dele.
O Grupo Vieira também seria dele.
Mas o irmão era inteligente. Tinha uma maturidade e firmeza incomuns para a idade, o que o transformava numa ameaça.


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