A Daniela não tentou adivinhar qual seria a reação da dona Maia; ela só precisava esperar.
Assim como ela, a dona Maia sabia que o escândalo da noite anterior acabaria vazando. A fofoca ia se espalhar sem que a Daniela precisasse dizer uma palavra, tirando da Cíntia qualquer chance de processá‑la.
De muito bom humor, Daniela foi para o trabalho.
Naquele dia, ela encontraria clientes para discutir parcerias de negócios. Seu estúdio havia se transformado em uma empresa de mídia cultural com excelentes resultados, atraindo o interesse de muitos parceiros em potencial.
Ela também buscava alianças com empresas maiores para promover as minisséries de sua produtora.
Na mansão da Família Vieira, Wilson acordou cedo. Ao ver a esposa adormecida, debruçada ao seu lado, percebeu que ela havia cuidado dele a noite toda e sentiu uma pontada de culpa.
Ele estendeu a mão e acariciou Cíntia, que logo despertou.
— Wilson, você acordou.
Cíntia ergueu a cabeça e viu que o marido já estava sentado no sofá. Ela se levantou apressadamente, sentou-se ao lado dele, abraçou-o com força e disse com uma voz suave: — Wilson, me perdoe. Ontem à noite, eu simplesmente não tive forças para te ajudar a subir para o quarto.
— Tive que te deixar dormir no sofá. Fiquei com medo de que você caísse, então fiquei aqui te vigiando. Nem sei a que horas acabei pegando no sono.
Ao ouvir aquelas palavras, a culpa de Wilson só aumentou. Ele retribuiu o abraço da esposa e murmurou: — Cíntia, me desculpe por ter te cansado tanto. Eu bebi demais ontem e nem me lembro de como cheguei em casa.
— Mais tarde, fale com a governanta para que ela se mude para cá. Assim, mesmo depois do expediente, ela estará por perto, e você não ficará sozinha quando os outros funcionários forem embora.
— Hum — concordou Cíntia.
Na verdade, a Família Vieira tinha empregados que dormiam na casa, mas já era muito tarde na noite anterior e Cíntia não os havia chamado.
E nem queria tê-los chamado.
Ela queria uma noite de paixão com o marido, mas ele havia apagado. Inquieta e frustrada, acabou correndo atrás de Francisco, apenas para ser rejeitada.
Só de lembrar da noite anterior, Cíntia sentia que ia enlouquecer.
Após voltar para casa, ela se acalmou bastante e mal conseguia acreditar na atitude que havia tomado.
Wilson não recusou.
O casal subiu as escadas juntos.
Ao entrarem no quarto, Cíntia foi direto preparar a banheira para o marido. Quando a água estava pronta, ela saiu, pegou roupas limpas e, ao entregá-las a Wilson, perguntou com um olhar carregado de afeto: — Meu amor, quer que eu te ajude no banho?
— Se a minha esposa quer me dar banho, é tudo o que eu mais desejo — sorriu Wilson.
Os dois entraram no banheiro juntos e só saíram de lá uma hora depois.
Satisfeita pelos momentos íntimos com Wilson, Cíntia sentou-se diante da penteadeira. Enquanto escovava os longos cabelos em frente ao espelho, comentou de repente: — Foi a sua secretária quem te trouxe de volta ontem à noite.
O olhar de Wilson hesitou por um breve instante. Ele se aproximou, pegou a escova das mãos dela e, enquanto escovava os cabelos da esposa, explicou: — Eu liguei para ela antes de ficar bêbado, avisando a hora que deveria ir me buscar.
— Meu amor, já era muito tarde. Eu não quis te pedir para me buscar porque fiquei preocupado com a sua segurança na rua.

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