— Francisco...
Cíntia disse entre soluços:
— Eu estou na porta da sua casa.
Francisco saltou imediatamente da cama, caminhou a passos largos até a janela, abriu as cortinas e viu que, de fato, havia faróis iluminando a entrada da mansão.
O que é que a Cíntia estava a fazer ali no meio da madrugada?
E a chorar de forma tão desolada.
Mesmo que Francisco quisesse esquecer os seus sentimentos por Cíntia, eles tinham crescido juntos. Se algo de mau lhe acontecesse, ele ainda se preocuparia com ela.
Sem pensar duas vezes, saiu o mais depressa que pôde.
— Cíntia.
Ao abrir o portão da mansão, Francisco correu até a janela do carro de Cíntia e bateu no vidro.
Cíntia destrancou as portas.
Mas não saiu do veículo.
Francisco abriu a porta do carro e inclinou-se para dentro. Quando estava prestes a perguntar-lhe o que tinha acontecido, ela abraçou-o subitamente, enterrou o rosto no peito dele e chorou, chamando:
— Francisco!
Seis meses atrás, se Cíntia se atirasse aos seus braços daquela forma, Francisco teria ficado exultante de alegria.
Mas agora, o seu corpo ficou tenso. Ele tentou afastá-la suavemente, perguntando:
— Cíntia, o que foi? O que aconteceu de errado? Aconteceu alguma coisa com o Wilson?
— Francisco, eu tô sofrendo demais.
Após ser afastada, Cíntia atirou-se de novo aos braços dele. Não só isso, mas passou-lhe os braços à volta do pescoço, inclinou-se para a frente e tentou beijá-lo nos lábios.
Francisco apanhou um susto enorme.
Como um pássaro assustado, empurrou Cíntia com força mais uma vez.
Com o empurrão, Cíntia bateu contra a porta do carro.
Ela tinha quase conseguido beijá-lo.
Mas ele rejeitou-a.
Ele não dizia que a amava loucamente?
Cíntia parou finalmente com as suas atitudes tresloucadas.
Cobrindo o rosto agredido, soluçou:
— Francisco, você me bateu.
— Cíntia, eu só queria que você parasse com essa loucura! Você tem noção do que estava a fazer? Como pode agir assim?
Ela realmente pretendia trair Wilson.
— Cíntia, você e o Wilson são casados, não pode fazer algo que o traia!
— E eu jamais trairia a confiança do meu próprio irmão.
Cíntia olhou para ele enquanto as lágrimas lhe rolavam pelo rosto como pérolas de um colar arrebentado.
Ela estava se oferecendo e, mesmo assim, Francisco a rejeitava.
Francisco tinha realmente esquecido os seus sentimentos por ela. Tinha mesmo sido arrebatado por Daniela.
Daniela, Daniela!
Ela queria despedaçar Daniela em mil pedaços. Se não fosse por tentar lidar com ela, não teria de suportar toda aquela dor e humilhação no dia de hoje.

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