— Você vai dormir aqui esta noite? — perguntou Mafalda.
— A Janaina está bêbada e sozinha; não me sinto seguro deixando-a, então vou ficar para cuidar dela.
— Mas fique tranquila, não vou me aproveitar dela só porque bebeu.
Henrique apressou-se em deixar claro que era um cavalheiro e que, de forma alguma, tiraria vantagem do estado de embriaguez de Janaina.
Mesmo que, no fundo, o que ele mais quisesse fosse tê-la em seus braços.
Ele a admirava havia meio ano e, até o momento, nunca a havia beijado.
Enquanto ela não o aceitasse, ele não ousaria encostar sequer um dedo nela.
O amor só era doce e verdadeiro quando havia consentimento mútuo.
— Eu sei que você é um bom homem. O problema é que dormir na casa dela pode gerar mal-entendidos, mesmo que não aconteça nada.
— Eu não vou contar a ninguém, e ela também não; ninguém vai saber.
— Com ela nesse estado, eu não ficaria em paz indo embora. Vou me acomodar no sofá por uma noite.
— Dormir no sofá ou no quarto de hóspedes é escolha sua, eu não vou interferir. Enfim, preciso ir, meus seguranças estão me esperando lá embaixo — declarou Mafalda.
Dizendo isso, ela se levantou.
Henrique a acompanhou até a porta.
Ele observou a prima entrar no elevador e só então voltou para dentro do apartamento.
Ele foi ao quarto verificar Janaina e, depois de confirmar que ela estava dormindo profundamente e não faria mais confusão, finalmente se sentiu seguro para deitar no sofá da sala.
Como a noite estava quente, ele não precisou de um cobertor; apenas abraçou um travesseiro, virou-se de lado e adormeceu rapidamente.
..
Já o quintal dos fundos era cheio de caminhos arborizados que dificultavam a visão. Patrícia observou por um bom tempo, mas não avistou ninguém.
No entanto, um alarme não dispararia do nada por falha no sistema; com certeza, alguém havia tocado nos sensores.
Patrícia ligou para Victor, que naquela noite também estava dormindo em sua casa naquele mesmo condomínio. O sono dele era leve, pois estava preocupado com a embriaguez de Daniela.
Ao receber uma ligação da irmã no meio da madrugada, o coração de Victor acelerou e ele ficou extremamente tenso, temendo receber alguma má notícia.
— Victor, o alarme do quintal dos fundos da casa de Daniela disparou do nada. Você pode entrar em contato com os seguranças do condomínio e pedir para virem checar? Aquele alarme não dispararia à toa; acho que alguém invadiu a casa.
— Tudo bem, vou avisar aos seguranças imediatamente para darem uma olhada. Fique de olho na Daniela e não saiam de casa. Tranque a porta do terraço também. Se for realmente um ladrão, ele pode tentar escalar e entrar pelo telhado — instruiu Victor.
— Combinado.
Patrícia virou-se para voltar, mas parou abruptamente, percebendo que realmente havia alguém tentando escalar até o terraço.
Ela exclamou em voz baixa: — Victor, tem alguém subindo aqui. Vou desligar e resolver isso.

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