Divórcio não era algo para fazer alarde, por isso não havia necessidade de trazer tantas pessoas.
Ele também não queria que vissem o seu sofrimento.
— Avó, eu vou entrar para assinar os papéis com o Francisco.
Ao saber da chegada de Francisco, Daniela disse isso à idosa e empurrou a porta para descer.
A compensação oferecida pela idosa, no fim das contas, ela não aceitou.
A idosa também desceu do carro.
Ao ver o veículo do neto, teve uma vontade imensa de ir lá e dar uns bons chutes nele; por que ele tinha que ser tão pontual?
Suspirou.
Já não havia como segurar a situação; mais cedo ou mais tarde, eles acabariam formalizando o divórcio.
Acreditava que o neto estivesse relutante sob todas as perspectivas em vir, mas, como havia prometido a Daniela, não queria decepcioná-la. Por mais dor que sentisse, ele compareceu.
— Daniela, me desculpe, cheguei tarde e fiz você esperar.
Francisco desceu do carro pedindo desculpas e, ao ver a avó, cumprimentou-a.
Não ficou surpreso em vê-la ali.
Sabia que, no fundo, a avó não queria que ele e Daniela se divorciassem.
Mesmo que as palavras da avó sempre se alinhassem com o lado de Daniela.
A idosa fuzilou o neto com o olhar por um bom tempo, antes de dizer em um tom fraco: — Cuidem dos seus assuntos. Eu já estou velha, não tenho mais disposição, vou para casa.
Ela ainda recomendou a Daniela: — Daniela, quando tiver tempo no futuro, venha visitar a avó, sim? A avó sentirá saudade de você.
— Eu irei.
Daniela concordou.
A idosa virou-se, voltou ao carro e rapidamente o motorista partiu.
Quando a idosa foi embora, Daniela disse a Francisco: — Vamos, vamos entrar.
— Daniela.
Francisco, com um tom grave, olhou para ela e chamou pelo seu nome.
Tendo dado dois passos, Daniela virou a cabeça e lhe perguntou: — O que foi?
— Nada — disse Francisco, após respirar fundo algumas vezes.
Daniela virou-se e continuou a caminhar para dentro.
Após dois minutos de um silêncio total, Francisco finalmente a seguiu.
Não havia muita gente ali para oficializar casamento, mas a fila do divórcio estava longa.
— Sim, recebi.
— E você vai comparecer?
Perguntou Francisco, cheio de expectativa.
Fora ele quem insinuara para o anfitrião que a convidasse, pois queria mais chances de estar com ela.
— O Senhor Lima demonstrou muita consideração ao me enviar o convite, é claro que farei questão de prestigiá-lo. Francisco, eu não comparecerei ao banquete como sua esposa.
— Eu sei.
Francisco concordou com suavidade.
— A minha empresa tem alguns projetos novos no momento; você teria interesse em formarmos uma parceria?
Daniela olhou para ele, pensou por um bom tempo e, com certa dificuldade, recusou: — Francisco, nós acabamos de nos divorciar e nossas emoções ainda estão instáveis. Acredito que não é apropriado trabalharmos juntos; nossas questões pessoais poderiam facilmente interferir nos negócios.
— Se um dia você seguir em frente e surgir uma oportunidade, a gente pode trabalhar junto.
— Eu não vou me casar de novo! A não ser que nós reatemos o nosso casamento!
Francisco respondeu em tom sombrio.
Em suas palavras havia não apenas a dor de deixá-la partir, mas também suas verdadeiras intenções.

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