— O que você veio fazer aqui de novo? — perguntou Wilson, com o rosto fechado, assim que Giovana estacou o passo.
— Não é você quem manda nesta empresa. Eu venho a hora que eu quiser, isso não é da sua conta.
— Da próxima vez que nos cruzarmos, você deveria me chamar de madrasta. — Giovana retrucou com sarcasmo.
O rosto de Wilson endureceu.
Por mais que ele se opusesse, o seu pai teimava em dizer que iria se casar com Giovana.
Ele até havia procurado Jonas Vieira, o filho que o pai mantinha às escondidas. Apesar de ter apenas dez anos, a criança era de uma maturidade gélida e assustadora.
Em vez de se sentir ameaçado pelo irmão mais velho, Jonas foi logo contar a Davi que Wilson o havia procurado na escola para fazer ameaças.
Como o coração de Davi já estava inclinado para o caçula, saber que o filho mais velho planejava prejudicar o mais novo o deixou possesso. Houve uma briga colossal entre pai e filho, e Davi ameaçou o primogênito: se encostasse um dedo sequer no mais novo, não veria nem um centavo do patrimônio da Família Vieira.
— Espere até você casar no papel com o meu pai para falar isso. Enquanto não assinar a certidão, que tipo de madrasta você é? Talvez a minha verdadeira madrasta seja outra pessoa.
— Se o meu pai traiu a minha mãe com você, também pode te trair com outra. Você destruiu o casamento do meu pai com a Senhora, e no futuro alguém também vai destruir o seu casamento com ele. Você já está ficando velha para esse jogo. — Wilson disse com frieza.
— Os homens sempre preferem o que é novo, o que é jovem. Por mais que você se cuide, não pode apagar o fato de que você já não é mais nenhuma garotinha.
— Você!
Giovana ficou furiosa.
As palavras de Wilson tocavam no seu maior temor.
Apesar de ter feito de tudo para manter Davi preso a ela nesses últimos dez anos, impedindo que outras mulheres se aproximassem dele, ela sabia que já não era mais nenhuma novinha.
Davi já tinha passado dos sessenta, mas conservava-se muito bem, parecendo ter a mesma idade que ela.
Após dizer isso, ele deu um rápido olhar para Júlia Almeida e passou direto pelas duas, indo embora.
Júlia Almeida, por sua vez, continuou virando a cabeça para trás, sem parar de observá-lo.
— Prima, quem é aquele homem? Ele é muito bonito. Lembra um pouco o cunhado, não é o filho mais velho dele? — perguntou ela de imediato, assim que foi puxada para dentro do elevador.
— É ele sim. E ele... Júlia, nem pense em se deixar enganar por aquele rostinho. Aquele homem tem o coração podre, e eu e ele somos inimigos mortais. — Giovana respondeu de forma brusca.
— Eu não, prima. É que foi a primeira vez que vi pessoalmente um empresário jovem e bonito, desses que parecem saídos de um romance.
— Que grande empresário, o quê! O Grupo Vieira ainda não está sob as ordens dele.
— Ele não tem lá tanta competência. Vive usando a própria esposa para agradar o amigo de infância e tirar proveito dessa relação. — Giovana deu uma risada gélida.
Ele tem classe, tem prestígio, é lindo de morrer. A única coisa que falta nele é a capacidade de enxergar quem realmente presta.

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