Júlia Almeida estava realmente com fome. Vendo que aqueles quitutes pareciam muito refinados e apetitosos, ela não fez cerimônia diante de Davi; comeu vários pedaços em seguida e bebeu um copo de água. Só então o seu estômago vazio sentiu um pouco de alívio.
Davi observou como ela devorava a comida, o que de fato confirmava a sua fome extrema, e acreditou na história contada por Júlia Almeida.
— Giovana, peça para a cozinha fazer mais alguns pratos. Eu irei almoçar em casa hoje. — Ele se levantou, voltou para trás da mesa do escritório, pegou o celular e ligou para Giovana; assim que ela atendeu, ele fez o pedido.
— Querido, você vem almoçar em casa? Então vou pedir para prepararem mais dois pratos que você adora.
— Sim, mande fazerem mais alguns pratos. Teremos companhia. A sua prima caçula chegou à Cidade A. Ela me contou que está há quase quinze dias procurando emprego e não conseguiu nada; o dinheiro que trouxe acabou, o celular ficou sem crédito, sem poder fazer ligações ou mandar mensagens.
— Neste momento, ela está no meu escritório pedindo ajuda. Se você estiver livre, venha buscá-la. Caso contrário, espere eu sair do trabalho e eu a levo comigo.
Ao ouvir isso, o coração de Giovana deu um salto. A prima caçula tinha chegado?
E estava no escritório de Davi Vieira neste exato momento?
Quando foi que Júlia Almeida havia chegado e por que ninguém na sua terra natal a tinha avisado?
— É a Júlia? Ela vem para cá e nem me avisa para que eu arrume um emprego para ela? Por que ela estava procurando emprego por conta própria? — respondeu ela de imediato da boca para fora.
— Ficar no seu escritório vai atrapalhar o seu trabalho. Eu vou para aí agora mesmo buscá-la.
— Cunhado, eu também não tenho onde morar agora. Você poderia falar com a Giovana para me deixar ficar na casa dela por um tempo? Assim que eu conseguir um emprego, me mudo na mesma hora. — Davi murmurou em concordância enquanto Júlia Almeida intervinha ao lado.
— Claro que sim. Vocês são primas, ela vai arrumar um lugar para você ficar, não se preocupe. — respondeu Davi, sem pensar muito.
Por isso, ele primeiro pediu que Júlia Almeida continuasse procurando trabalho. Se realmente não conseguisse, em respeito a Giovana, ele poderia arranjar um cargo para ela em uma das filiais.
— Muito obrigada, cunhado.
Júlia Almeida agradeceu imediatamente; a voz era tão meiga que, aos ouvidos de Giovana, fez disparar todos os alarmes de desconfiança.
Normalmente, ela raramente levava Davi à sua antiga casa. Com exceção dos seus próprios pais e dos seus irmãos de sangue, ela não permitia que os demais parentes da sua terra natal a visitassem.
Ela impedia qualquer contato de Davi com esses parentes.
Primeiro, porque achava que os seus familiares não sabiam se portar em sociedade, e tinha medo de passar vergonha na frente de Davi; segundo, porque sempre ficava em guarda contra as suas irmãs e primas, temendo que tentassem seguir o mesmo caminho que ela e roubassem o amor de Davi.

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