— Por mais que eu queira ser rápida, é preciso esperar a ambulância. Se eu mesma o levar dirigindo, pode acabar acontecendo algum acidente no caminho. — Daniela argumentou.
Francisco parecia afundar-se em um delírio total. Apenas reclamava do calor sufocante enquanto seus braços circulavam o corpo de Daniela, tateando-a pelo corpo. E mesmo com Daniela agarrando-lhe as mãos firmemente, ele avançava na tentativa de beijá-la.
Janaina implorou para que ela amparasse logo o homem até a frente da rua, a fim de aguardar a chegada da emergência.
Daniela não disse mais nada, amparou Francisco, que já estava quase sem forças, e saiu com ele.
Por sorte, logo que os dois atingiram a esquina, a ambulância de um hospital próximo chegou logo em seguida. Daniela prestou o apoio necessário junto aos paramédicos, posicionou o corpo ofegante dele sobre a maca, e seguiram para o hospital.
Isabel, arrastada para longe dali pela mãe, estava desesperada de ansiedade. Por várias vezes, esbravejou: — Mãe, pare o carro. Me deixe voltar para ver como o meu irmão está. Não podemos deixar que a Daniela seduza o meu irmão.
— Eles já estão se divorciando, deixe que cortem os laços de uma vez por todas.
A senhora Pinto não estava com motorista nem guarda-costas naquela saída. Ela havia dirigido sozinha às pressas. Ouvindo as palavras da filha, respondeu enquanto mantinha os olhos na estrada: — Não se intrometa nos assuntos do seu irmão. Nem mesmo eu me atrevo a interferir demais.
— Se o seu irmão conseguir esquecer os sentimentos dele pela Cíntia, isso pode até ser algo bom. Afinal de contas, a Cíntia já é casada, não dá para ele passar o resto da vida remoendo esse amor.
— Apesar de eu também não aprovar a Daniela, se ela conseguir fazer o seu irmão se apaixonar, e os dois finalmente consumarem o casamento e me derem um neto, eu serei capaz de aceitá-la.
Era muito melhor do que ver o filho viver a vida toda sozinho, preso a um amor impossível por Cíntia.
— Mãe, vamos voltar. Vamos voltar agora mesmo, algo de ruim pode acontecer com o meu irmão. — Isabel retrucou angustiada.
— E o que poderia acontecer com o seu irmão?
— Mãe, eu coloquei um remédio naquele café. É um tipo de droga que faz a pessoa passar vergonha, mas eu não sei exatamente o que acontece depois que toma. — Isabel engoliu em seco. Por fim, cerrou os dentes e revelou a verdade à mãe.
— A minha intenção era que a Daniela bebesse. Mas a Daniela não quis beber, e o meu irmão acabou bebendo em vez dela. Quando eu tentei impedi-lo, já era tarde demais.
Ao ouvir essas palavras, a senhora Pinto pisou fundo no freio de repente.

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