Victor virou a cabeça para olhá-lo.
Francisco fixou o olhar profundamente em Victor, não querendo perder nenhuma expressão em seu rosto.
— Francisco, você quer ouvir a verdade ou uma mentira?
— A verdade.
Victor disse em voz baixa:— Hoje é a inauguração da nova loja da Daniela, um dia de celebração. Eu não queria criar caso com você, mas já que você insiste em saber com clareza...
— Então eu te digo: sim, com certeza. Assim que você e a Daniela tiverem a certidão de divórcio e ela estiver livre, eu vou me declarar para ela e cortejá-la abertamente.
— Já que você não sabe dar valor a ela, eu darei!
O rosto de Francisco escureceu instantaneamente.
Victor finalmente lhe dissera a verdade.
Ele endireitou o corpo, bebeu o vinho de um só gole, pousou a taça, levantou-se e disse friamente:— Victor, vamos lá fora conversar.
Victor também não tem medo dele.
Ele já disse toda a verdade. No máximo, ele vai se desentender com Francisco.
Francisco já se divorciou de Daniela, se Daniela voltar a ser solteira, ela tem o direito de buscar o amor novamente.
Ele gosta de Daniela, isso é um fato, depois de guardar isso por tanto tempo, não precisa mais esconder.
Ele quer agora perseguir Daniela de forma aberta e justa.
Antes, ele pensava em apenas permanecer ao lado dela silenciosamente, mas tanto Henrique quanto sua irmã o aconselharam a se declarar, para que Daniela soubesse de seus sentimentos.
Eles tinham razão: se a amava, ela precisava saber.
Por isso, ele não esconderia mais nada. Esperaria apenas a certidão de divórcio sair para ir atrás dela.
Se conseguiria conquistá-la era uma coisa, tentar era outra.
Independentemente do resultado, ele teria tentado e não se arrependeria no futuro.
— Francisco, Victor, não façam isso. Sentem-se, comam. Não deixem a Daniela numa situação difícil.
Henrique tentou impedir em voz baixa.
Seguindo o número do quarto que Henrique lhe passara, ela chegou à porta de Francisco e bateu.
Não havia barulho lá dentro, ela não conseguia ouvir nada, talvez pelo isolamento acústico do quarto.
— Francisco, eu sei que você está aí. Abra a porta! O que você e o Senhor Amaral estão fazendo aí dentro?
Daniela batia na porta sem parar.
O que Francisco e Victor faziam lá dentro com a porta trancada?
Duas pessoas mal começaram a conversar e Francisco, com ciúmes, desferiu um soco em Victor, dizendo que ele não era correto e estava roubando sua esposa.
Victor também não quis ficar atrás e revidou.
Então os dois começaram a brigar no quarto. Brigaram de forma intensa e equilibrada.
Daniela bateu na porta lá fora, mas os dois, mesmo ouvindo, não pararam.
Às vezes Francisco era derrubado no chão por Victor, às vezes ele contra-atacava e deixava Victor no chão.

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