A velha senhora assustou-se com ele e perguntou repetidamente ao telefone:
— Francisco, o que houve? O que aconteceu? Não chore, diga para a vovó o que aconteceu.
Homem não chora facilmente.
Francisco raramente derramava lágrimas, desde que seu avô partiu, ele não havia chorado mais.
— Vovó.
Francisco não sabia o que havia de errado com ele, não conseguia controlar suas emoções.
Ao ouvir a voz da avó, sentiu vontade de chorar.
Ele enxugou os olhos rapidamente.
— Vovó, eu estou bem, não aconteceu nada. Só estou de mau humor, queria falar com a senhora, ouvir sua voz.
— É sobre o divórcio, não é?
A velha senhora entendeu. Ela suspirou aliviada, contanto que não fosse nenhum outro acidente, estava tudo bem.
— Vovó, eu não quero o divórcio, mas sou obrigado a deixá-la ir. Meu coração dói, dói de verdade.
Francisco disse com tristeza:— Vovó, o que eu faço? O que devo fazer?
A velha senhora suspirou.
— Chegando a este ponto, o que mais você pode fazer? Francisco, o fato de você sentir dor mostra que ainda tem salvação. Se você não sentisse nada, aí sim não teria jeito.
O neto sofrendo pelo divórcio indicava que ele tinha algum sentimento por Daniela. Dando um tempo ao neto, ele realmente conseguiria superar o amor por Cíntia.
Portanto, havia esperança.
Se ele não sofresse, se mostrasse indiferença, significaria que não largaria o amor por Cíntia, e aí não haveria salvação, só restaria ao neto ficar solteiro pelo resto da vida.
— Com a Daniela, por enquanto, não há margem para manobras. Cumpra o que você prometeu a ela, o resto a gente vê depois.
A velha senhora sentia pena do neto, mas optou por não ajudá-lo, sabendo também que não podia ajudar.


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