Daniela roía uma maçã.
Francisco a encarou por um longo tempo.
Por fim, caminhou até a cama de acompanhante e sentou-se.
Continuou olhando para ela, ainda irritado.
Daniela estendeu a maçã pela metade para ele e perguntou:
— Quer comer maçã?
— Não quero. Estou cheio de raiva.
— Isso é prático. Não precisa comer para ficar satisfeito. Comer dá trabalho, tem que abrir a boca.
Francisco ficou sem palavras.
— Vá dormir logo. Vá sonhar. Quando você sonhar com quem me matou de verdade, talvez morra de susto. Espero que seu coração seja forte o suficiente para suportar a crueldade da verdade.
Francisco não disse nada.
Ficou sentado por um bom tempo.
Mas acabou se deitando.
No entanto, rolava de um lado para o outro, sem conseguir dormir.
— Daniela, não consigo dormir. Vamos conversar.
Francisco sentou-se.
— Acho que não temos nada para conversar.
Já são pessoas que vão se divorciar, então de que adianta conversar?
Ela não pode perdoá-lo, não pode reatar com ele, e ele também não pode se apaixonar por ela.
É melhor seguir o que ele disse: esperar até que ela se recupere e saia do hospital para cuidar do divórcio, e depois não interferirem mais um na vida do outro.
— Se não consegue dormir, quer que eu te ajude?
Daniela olhou para ele com malícia.
— Como você vai me ajudar?
Francisco captou a malícia no olhar dela.
Ficou curioso.
Queria saber como ela o ajudaria.
Daniela desceu da cama.
— Devagar, você ainda não está recuperada.
Francisco pulou rapidamente da cama.
Correu até ela para ampará-la.
— O que você vai fazer fora da cama?
— Sente-se. Sente-se naquela cama.


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