Quando Francisco chegou, Daniela já estava de barriga cheia.
Ela não conseguia comer nem mais um bocado do jantar que ele trouxe.
Elisa e Patrícia eram sócias de Daniela e também amigas. Elas se preocupavam com Daniela e a tratavam bem, então Francisco não podia dizer nada.
À noite, Francisco insistiu em ficar no hospital para fazer companhia.
Daniela tentou de tudo para convencê-lo a ir embora, mas ele se inclinou e sussurrou em seu ouvido:
— Daniela, eu quero saber a continuação do sonho.
Ele dormiu em casa e não sonhou com nada.
O sonho aconteceu quando ele estava de vigília no hospital, então pensou que talvez precisasse estar perto de Daniela para ter aquele sonho novamente.
Daniela ouviu e ficou em silêncio. Depois, disse a todos:
— Podem ir, o Francisco fica aqui.
Ela disse à mãe:— Mãe, você também pode ir. Não precisa vir muito cedo amanhã, você e o tio já têm idade.
Francisco também disse:— Mãe, eu cuido da Daniela, pode ir descansar tranquila. Amanhã peço para a Juliana trazer o café da manhã, a senhora não precisa acordar cedo para preparar.
A Wilma desconfiou que o jovem casal tinha segredos que não queriam que ela soubesse.
Ela não perguntou nada. Deu algumas recomendações à filha, pegou a bolsa e foi embora com Janaina e as outras.
No quarto, ficaram apenas o marido e a esposa.
Lá fora já estava totalmente escuro. O estado de Daniela era estável e ela estava melhorando. O médico só passou na troca de turno para checar e não a incomodaria mais.
O soro do dia já tinha acabado, à noite, ela não precisava mais de medicação intravenosa.
— Descansei em casa e não sonhei. Acho que preciso estar perto de você para continuar sonhando.
Francisco sentou-se à beira da cama e começou a descascar uma maçã para Daniela. Seus movimentos eram muito habilidosos, provavelmente de tanto descascar maçãs para Cíntia.


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