— Foi você quem errou com ela. Se você não a tivesse usado e casado com ela, como ela teria sido envolvida no seu triângulo amoroso?
— Daniela pode não ter começado a sonhar agora. Ela pode ter tido esses sonhos há muito tempo. Você mesmo disse que, desde a noite de núpcias, Daniela parecia ter mudado de personalidade. Ela deve ter tido aquele sonho antes, talvez repetidas vezes.
— Sabendo que amando você ela morreria, ela parou de te amar. Sabendo que Cíntia a incriminaria, ela se afastou de Cíntia. Sabendo que você nunca a amaria, ela pediu o divórcio repetidamente.
— Ela fez tudo isso apenas para conseguir viver.
Francisco ficou mudo.
Ele relembrou alguns meses atrás. Quando ele e Daniela se casaram, realizaram um casamento grandioso, e Daniela parecia feliz e doce.
Na noite de núpcias, ela o esperava no quarto. Ao vê-lo entrar, levantou-se para recebê-lo, ajudou-o a tirar o paletó e disse que prepararia o banho para ele. Naquele momento, Daniela não demonstrava nenhuma anormalidade, eram atitudes de quem o amava.
Quando ele revelou a verdade sobre o casamento, ela ficou como se tivesse sido atingida por um raio. Depois, não conseguiu se conter e o acusou, chorando alto a noite toda.
No dia seguinte, ele não teve coragem de encará-la e não apareceu na frente dela.
No terceiro dia, dia de visitar a família dela, ele percebeu que Daniela havia mudado. Ela não chorava mais, parecia ter aceitado o fato do casamento fraudulento. Porque ele prometeu os benefícios de ser a Senhora Pinto, ela ficou satisfeita e só pedia dinheiro a ele.
Quando Isabel levava aquelas supostas amigas íntimas para sua casa, Daniela não sentia ciúmes como antes, nem brigava com aquelas mulheres deslumbradas.
Ela parecia não se importar com quantas mulheres o admiravam.
Ela também não se importava nem perguntava sobre os assuntos dele. Se cuidasse ou perguntasse, certamente exigiria pagamento. Ele lhe dava dinheiro, e quanto mais, melhor para ela.
Relembrando lentamente a anormalidade de Daniela nesses meses, o rosto de Francisco foi ficando pálido.
Ele entendeu por que a Daniela de seu sonho e a Daniela da realidade eram diferentes.
Era porque Daniela já tinha tido aquele sonho, e repetidas vezes.
— Vovó... eu entendi. Tudo o que eu não entendia, agora eu entendi.
Francisco deu dois tapas no próprio rosto, arrependido.
— A culpa é minha. A vovó está certa em me xingar. Eu prejudiquei a Daniela. Eu falhei com ela.
— Eu sou um canalha! Eu sou um lixo!
Para Daniela, ele era realmente um lixo.
A velha senhora suspirou. O destino do neto e de Daniela provavelmente havia chegado ao fim.
Aquele sonho inacreditável ficaria para sempre entre os dois, impedindo que ficassem juntos novamente.
Desde que Daniela tivesse a mente sã, jamais perdoaria Francisco.

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