Francisco baixou o celular, sem forças.
— Como isso pôde acontecer?
Murmurou para si mesmo.
Quando chegaram ao local, a secretária veio ao seu encontro.
Vendo seu rosto pálido e sua imobilidade, a secretária disse suavemente:— Senhor Pinto, meus sentimentos.
Os passos de Francisco eram pesados como chumbo.
Ele olhou fixamente para o corpo coberto pelo pano branco, incapaz de se mover.
A secretária continuou:
— A funerária já foi notificada. Logo a levarão.
— A polícia suspeita preliminarmente de sequestro e já iniciou as investigações.
Se fosse um assalto, o celular de Daniela não estaria ao lado do corpo.
No entanto, exceto pelo celular, nada mais foi encontrado.
A polícia acreditava que ela fora sequestrada e, possivelmente, reagiu, resultando em sua execução.
Ela era bonita e tinha um belo corpo, os sequestradores podem ter decidido, por impulso, violentá-la.
Francisco finalmente conseguiu mover as pernas, caminhando passo a passo em direção ao corpo.
A secretária e o motorista o seguiram preocupados.
Sua expressão naquele momento era alarmante.
Estava assustadoramente pálido.
Ele chegou diante do corpo de Daniela.
Agachou-se lentamente, estendeu a mão trêmula e levantou suavemente o pano branco que cobria a cabeça dela.
Ao ver claramente o estado de Daniela, Francisco não aguentou.
Abraçou a cabeça dela e gritou de dor:
— Daniela!
Seus olhos ficaram vermelhos, as lágrimas giraram nas órbitas e logo rolaram, pingando no pano branco que cobria o corpo dela.
— Daniela, levante-se! Não me assuste. Como pode ser você? Como? Você está me assustando, não está? Como você pode ter morrido?
Francisco abraçou a cabeça de Daniela com força, chorando de forma dilacerante.
A secretária e o motorista olhavam atônitos.
Ela disse que ele nunca acreditou nela, que muitas coisas não foram feitas por ela, mas não importava como explicasse, ele não acreditava.
Não há maior dor do que a morte da esperança.
No momento em que pegou a certidão de divórcio e saiu da casa dele, o coração dela devia estar morto.
No dia em que ela partiu, Francisco se controlou desesperadamente para não correr e segurá-la.
Ele pensou que ela estava acostumada com a vida de Senhora.
Ele propositalmente tomou de volta a casa e o carro.
A mesada que ele lhe dava, ela gastava comprando presentes para ele ou coisas para a família dele.
Ela não tinha mais dinheiro algum.
Sem dinheiro e sem ter para onde ir, a vida dela seria muito difícil.
Ele até pensou que, quando ela procurasse emprego, ele criaria obstáculos secretamente para que ela não conseguisse nada.
Sem saída, ela se arrependeria do divórcio, se arrependeria de tê-lo deixado.
Voltaria obediente para procurá-lo, implorando para reatar.
— Senhor, meus sentimentos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor! Me Deixa Explicar!