Cíntia fuzilou Juliana com o olhar.
Juliana não se intimidou, ela falava a verdade.
Independentemente de a senhora merecer ou não o senhor, ela era a esposa legítima.
O senhor Francisco até a levou para a mansão da família, e ninguém lá disse nada contra, mesmo que não gostassem dela.
Sabendo a verdade sobre o casamento, a família tratava a senhora muito melhor. Até a mãe dele parou de criar problemas. Apenas a senhorita Isabel ainda tentava algumas artimanhas, mas nada preocupante.
— Juliana, você não gosta mais de mim.
Juliana respondeu:— Eu gosto do senhor Francisco. A Senhora Vieira não precisa do meu afeto.
Antigamente, ela tratava Cíntia muito bem, sabendo que ela era a queridinha de Francisco.
Mas agora, Francisco se importava com Daniela. Juliana precisava ser sensata e tratar melhor a esposa atual, afinal, era ela quem passaria a vida ao lado dele.
A Senhora Vieira era a senhora da Família Vieira, não a patroa dela.
Cíntia ficou irritada, mas não explodiu com Juliana.
Embora fosse apenas a governanta, Juliana trabalhava para a Família Pinto há anos. Era esposa de Pablo, o mordomo-chefe da Vila de Pinto, e viu Francisco crescer. Tinha a confiança e o respeito dele.
Gritar com Juliana prejudicaria a imagem doce e gentil que Cíntia cultivava, e deixaria Francisco descontente.
Até para chutar o cachorro, deve-se olhar para o dono. Juliana era a governanta de Francisco. Sem a permissão dele, Cíntia não podia fazer nada contra ela, exceto falar mal dela pelas costas.
— Juliana, saia. Eu cuido do fogo.
Juliana apertou os lábios e saiu.
Mais de uma hora depois, a sopa estava pronta. Cíntia colocou uma tigela na mesa de jantar e chamou Juliana:
— Juliana, vá ver se o Francisco já acordou. Chame-o para tomar a sopa.
Era normal que a atual esposa começasse em desvantagem.
Esperava que Daniela conquistasse cada vez mais o coração de Francisco, expulsando Cíntia de vez. Só assim o casal teria felicidade real.
Não como agora, onde mesmo começando a gostar dela, ainda dormiam em quartos separados, como um casal de fachada.
Cíntia chegou à porta do quarto de Francisco. Tentou girar a maçaneta, mas estava trancada.
Ela bateu na porta e gritou:— Francisco, fiz uma sopa para você. Levante para tomar antes de voltar a dormir. Você não comeu nada desde ontem.
— Sua saúde é o mais importante.
Nenhum som veio de dentro.
Francisco estava exausto, dormindo como uma pedra. Não ouviria as batidas de Cíntia nem se quisesse.

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