Francisco estava irritado, mas entrou em casa mesmo assim.
Era a sua casa, afinal. Não havia motivo para temer entrar só porque havia visitas.
Cíntia estava sentada no sofá da sala de estar, digitando no celular, trocando mensagens com alguém.
Na mesa de centro à sua frente, repousavam duas caixas de tônicos importados. Eram os mais baratos que ela conseguiu encontrar depois de muito escolher.
Ao ouvir os passos familiares, Cíntia largou o celular, levantou-se e virou-se para receber Francisco.
— Francisco, você voltou. Como a Daniela está?
Já que Cíntia viera sob o pretexto de se preocupar com Daniela, precisava ao menos perguntar.
Francisco não respondeu de imediato. Caminhou até o sofá, sentou-se e esperou que Juliana lhe servisse um copo d'água.
Só depois de beber, ele respondeu friamente:— Acordou.
Cíntia sentou-se ao lado dele.
— Que bom que acordou. Os ferimentos foram muito graves?
Francisco virou a cabeça para encará-la. Seu olhar carregava uma severidade que ela nunca vira antes.
— Francisco, por que está me olhando assim?
Cíntia suavizou a voz.
— Esse seu olhar é assustador. Fico nervosa quando você me olha desse jeito, com medo de ter feito algo errado.
— Cíntia, você se importa mesmo com a Daniela?
— Claro. Assim que soube do incidente, vim correndo. Queria vê-la.
Francisco apertou os lábios e disse com voz grave:
— Ela está no hospital. Se queria vê-la, por que não foi para lá?
Cíntia engasgou com a pergunta direta.
Após um momento, ela respondeu:
— Ouvi dizer que você tinha voltado do hospital, então pensei em vir te ver primeiro e depois ir visitar a Daniela.
— Há quanto tempo você está aqui?
— Acho que mais de meia hora.
Sem olhar para trás, Francisco disse:— Minha casa não precisa disso. Se ela quiser, pode comer do melhor todos os dias. Leve de volta. A Daniela não vai dar conta de comer tudo o que já temos aqui.
— O que você tem é seu. O que eu trouxe é um gesto do meu carinho. Já que trouxe, não faz sentido levar de volta.
— Francisco, pegaram todos os sequestradores?
Cíntia seguia Francisco escada acima.
Enquanto caminhava, perguntava sobre o sequestro.
Francisco parou bruscamente e virou-se.
Cíntia estava tão colada nele que quase colidiu com seu corpo. Ela não recuou, mantendo uma distância íntima.
— O que foi?
Cíntia piscou os olhos, olhando para cima, a voz deliberadamente manhosa.
Antigamente, Francisco não resistia a esse charme e falava com ela suavemente.
Cíntia queria provar seu encanto. Queria mostrar que ainda atraía Francisco, que ele não conseguia esquecê-la. Queria que Daniela morresse de inveja.

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