Daniela sabia que Francisco não acreditaria que Cíntia tinha inveja dela.
Ela suspeitava que Cíntia e o marido fossem os assassinos que a mataram na vida passada, mas não tinha provas.
Sem provas, não podia acusar levianamente, ou Cíntia poderia processá-la por calúnia e difamação.
Nesta vida, se um sequestro voltasse a acontecer, ela também precisaria de provas. Com provas entregues à polícia, eles seriam presos.
Por isso, assim que acordou, a primeira coisa que perguntou a Francisco foi se os sequestradores haviam sido pegos.
Os sequestradores estavam atrás de Francisco ou havia um mandante nos bastidores?
Esse resultado era crucial para ela, pois envolvia os assassinos de sua vida passada.
— Francisco, volte e descanse. Não preciso que cuide de mim aqui.
Daniela fechou os olhos e continuou:— Sobre o divórcio, espero que você considere com carinho. O que aconteceu ontem à noite... eu tive medo. E, de fato, você me envolveu nisso.
Francisco olhou para ela, mas ela manteve os olhos fechados, recusando-se a olhá-lo.
O que ele disse há pouco a magoou novamente?
— Daniela, eu... eu não estou defendendo a Cíntia, é que...
— Francisco, não precisa dizer mais nada. Além do divórcio, não temos mais nada para conversar.
Daniela virou a cabeça para o outro lado.
Francisco olhou para ela em silêncio.
Depois de um longo tempo, ele disse em voz baixa:— Você quer o divórcio. Então, quando você tiver alta e se recuperar, iremos ao cartório dar entrada no pedido. Há um período de reflexão, então só pegaremos a certidão de divórcio um mês depois.
Ela estava extremamente decepcionada com ele. Mesmo tendo passado por uma situação de vida ou morte juntos na noite anterior, ela ainda queria deixá-lo.
Ela disse que aquele sonho poderia ter acontecido de verdade, na vida passada.
Francisco não acreditava em vidas passadas ou futuras, ele só sabia que a vida é uma só e que devemos valorizar o que temos agora.
Mesmo que existisse uma próxima vida, não seria garantido encontrar as mesmas pessoas desta vida.
Exigiu que Daniela ficasse no hospital por uma semana e só tratasse dos papéis do divórcio quando estivesse melhor.
Daniela estava ansiosa para dissolver o casamento, mas, naquele momento, sentia dores por todo o corpo e realmente precisava se recuperar. Como ele já havia concordado com o divórcio, imaginou que não voltaria atrás.
Ela disse:— Sairei quando o médico disser que posso sair. O corpo é meu e eu prezo muito pela minha saúde. Quando eu tiver alta, iremos ao cartório resolver a papelada.
Francisco murmurou um "certo" baixinho.
— Tudo bem, daqui a alguns dias vou redigir um acordo de divórcio para você ver.
— O investimento de cinco milhões que você me deu...
Francisco a interrompeu:— O que foi dado é seu. Não vou pedir que devolva.
— No entanto, tudo o que possuo são meus bens anteriores ao casamento. Se você insistir no divórcio, talvez eu não divida meus bens com você.
A carreira dela ainda estava na fase inicial. Embora houvesse esperança, o dinheiro que ganhava ainda não era muito e sua situação financeira era apertada. Francisco dizia que não dividiria os bens na esperança de que, por causa do dinheiro, ela pudesse adiar o divórcio.

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