Daniela Vieira não sabia que Cíntia Veloso havia enviado pessoas para contatar seu avô e sua família. Ela voltou ao estúdio e se dedicou a ler roteiros, trabalhando até o entardecer, quando recebeu uma ligação de sua amiga.
— Daniela, o Senhor Sousa disse que marcou com uns amigos e está indo para o Grande Hotel da Cidade A. Ele pediu para irmos para lá agora. Você ainda está no estúdio?
— Estou sim. Eu estava pensando em entrar em contato com o Senhor Sousa. Ele já falou com você, então? Certo, estou indo para o hotel agora. Quer que eu passe para te buscar?
Janaina Assis não tinha ido ao estúdio hoje, estava em casa escrevendo.
A primeira minissérie delas estava prestes a começar a ser filmada, e Janaina queria adiantar alguns rascunhos nos próximos dias para poder acompanhar a equipe de produção.
Filmar era cansativo, e ela temia que o esgotamento a impedisse de escrever, o que a levaria a atrasar as publicações.
— Não precisa, eu vou de carro.
Janaina Assis achou que seria uma perda de tempo se a amiga fosse buscá-la, era melhor ir por conta própria.
— Tudo bem, então. Te espero no saguão do hotel.
As duas combinaram e desligaram.
Daniela Vieira arrumou sua mesa de trabalho e saiu de seu escritório.
Quinze minutos depois, ela chegou ao Grande Hotel da Cidade A.
Havia vagas no estacionamento em frente ao hotel, e ela parou em uma delas.
O segurança do hotel, ao vê-la, aproximou-se. Ele ia pedir que ela estacionasse no subsolo, pois aquelas vagas eram reservadas para o Senhor Pinto e seus associados. No entanto, ao reconhecer Daniela Vieira, o segurança parou, deu meia-volta e agiu como se não tivesse visto nada.
Era a Senhora Pinto. Se ela ocupou a vaga do Senhor Pinto, ele provavelmente não se importaria.
Por coincidência, assim que Daniela Vieira estacionou, o Maybach de Francisco Pinto chegou.
O motorista, que agora reconhecia a placa do carro de Daniela Vieira, virou-se para Francisco Pinto e disse:
— Senhor, é o carro da Senhora.
Francisco Pinto abaixou o vidro do carro, confirmou a placa e, quando Daniela Vieira desceu do veículo, ele perguntou:
— Daniela, o que você está fazendo aqui?
— Vai convidar alguém para jantar? Ou foi convidada?
Daniela Vieira respondeu:
Ele também queria saber quem era esse acionista que Henrique conhecia, para ver se o reconhecia.
Daniela Vieira olhou para ele.
— Eu posso pagar a conta, não preciso que você pague por mim. Vá jantar o seu jantar e não me incomode.
— Daniela!
Francisco Pinto exclamou em voz baixa, com evidente descontentamento no rosto.
— Que atitude é essa?
— Ofereço-me para pagar a conta e você recusa. Acha que tem muito dinheiro? Todo o seu dinheiro foi dado por mim.
Daniela Vieira disse, resignada:
— Francisco, se você insiste em vir junto, tudo bem, mas prometa que não vai se meter nos meus negócios.
— Esse seu negócio nem se sabe se vai dar certo. Por que eu me meteria?
— Daniela, se desta vez seu empreendimento fracassar, não invente mais moda. Fique em casa como uma boa Senhora. Eu posso te sustentar, não vai te faltar nada para comer ou vestir.

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