Já que Maicon havia trazido Salete para a conversa, ele não perderia a oportunidade.
Só não esperava que Salete e Maicon se conhecessem; ela nunca havia mencionado isso antes.
Maicon estreitou os olhos e a atmosfera ao seu redor ficou pesada.
Salete levantou-se nervosamente, prestes a pegar a xícara de chá.
Maicon interveio:
— Não é necessário.
Com essas duas palavras, o ar na sala pareceu congelar.
Salete ficou ali, em uma posição embaraçosa, sem saber se deveria sentar ou permanecer de pé.
Maicon recostou-se preguiçosamente na cadeira, com uma mão sobre a mesa, os dedos girando um copo transparente de cachaça.
O copo girou uma vez entre seus dedos.
— Sra. Castilho, você não queria se casar com um homem rico? Já conseguiu se casar?
Salete emudeceu.
Seu rosto queimava, sua mente estava em branco, e ela mordeu o lábio, incapaz de dizer uma única palavra.
Maicon estava se vingando dela?
As pessoas na sala se entreolharam, sentindo o cheiro de uma informação bombástica, mas ninguém se atreveu a perguntar.
Apesar da aparência discreta, Maicon era uma figura poderosa.
Era evidente que ele tinha algo contra a secretária de Marcos, então era melhor que ninguém se metesse.
Marcos franziu a testa, prestes a falar.
Salete forçou seu sorriso profissional:
— Agradeço a preocupação, Sr. Ferreira. Estou quase lá.
Maicon a encarou por um longo tempo, com um olhar indecifrável.
Marcos interveio para quebrar o gelo:
— Salete, poderia me fazer o favor de comprar um maço de cigarros?
Salete, sem mais olhar para Maicon, pegou o celular e saiu rapidamente da sala.
Ao sair da sala, as lágrimas que Salete segurava há tanto tempo finalmente caíram.
Um garçom que passava a olhou com estranheza.
Salete saiu do restaurante e ficou parada na entrada por um bom tempo.
Havia uma loja na rua do lado de fora.
— A Sra. Castilho está pensando demais. Aquele nosso passado não foi nada mais que um pequeno episódio em minha vida. Se você não tivesse aparecido, eu nem me lembraria de que você existe.
Os olhos de Salete brilhavam com lágrimas contidas, e as palavras que estavam presas em sua garganta não conseguiam mais sair.
Ela queria explicar o que aconteceu naquele ano.
Queria dizer a Maicon que eles tinham um filho.
Mas agora, nada disso importava mais.
Ela deu um passo para trás e forçou um sorriso.
— Desculpe, fui inconveniente.
Salete não ousou mais olhar para Maicon e se virou, caminhando de volta para a sala.
Dois minutos depois que ela retornou, Maicon também voltou.
Salete ficou de cabeça baixa, escondida em seu canto, tentando ser o mais invisível possível.
Ela ansiava para que aquele jantar terminasse logo.
A pessoa que ela procurou por cinco anos estava finalmente ali.
Mas agora, tudo o que ela queria era fugir.

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