Afinal, durante todos esses anos, foi Rodrigo quem sempre fez companhia a Otília. Por mais canalha que ele fosse, Alan não podia simplesmente ignorá-lo.
O som de ocupado soou no celular, tu-tu-tu.
Karina guardou o aparelho e olhou para a urna funerária nas mãos de Luís.
Thor morreu por causa de Rodrigo, e agora Alan a ameaçava usando o próprio Thor.
Era uma injustiça sem tamanho.
Karina enxugou as lágrimas.
No entanto, ela já tinha uma ideia em mente.
— Obrigada.
A voz de Karina suavizou, ainda embargada pelo choro, passando como uma pluma pelo coração de Luís.
— Não foi nada. — Luís fez uma pausa. — Precisa da minha ajuda?
Se a Família Vargas se envolveu num escândalo, certamente estavam ameaçando Karina.
— Não precisa. — Karina pegou a urna de Thor e a colocou cuidadosamente sobre a mesa. — Eu dou conta.
Ela já havia encomendado uma urna idêntica com entrega expressa.
Como Thor já não estava mais lá, ela pegaria um pouco de terra da mesma cor e insistiria até a morte que aquelas eram as cinzas dele.
Mesmo que descobrissem, ela daria a desculpa de que descartou as cinzas de qualquer jeito e pagaria uma indenização material, se fosse o caso.
Mas ela nunca devolveria as verdadeiras cinzas para Alan.
——
Félix retornou durante a noite.
Depois que Bárbara recebeu a transfusão de sangue, ele ficou de guarda por mais um tempo antes de ir embora.
— Onde está a Karina?
O funcionário respondeu: — A jovem senhora está descansando no quarto.
Félix subiu as escadas e não bateu; entrou direto no quarto de Karina.
Karina estava tomando banho, então não ouviu os passos dele.
O olhar de Félix recaiu sobre a urna funerária na mesa.

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