A Félix não faltava dinheiro.
Porém, se o assunto envolvesse Karina, as coisas mudavam de figura.
— O meu filho, obviamente, terá do bom e do melhor. — Félix acariciou a barriga de Karina. — Depois que nascer, a Família Lopes será toda dele.
Mais uma promessa vazia.
Inútil.
Karina afastou a mão de Félix e deitou-se:
— Quero descansar, pode sair.
Bastava ele não dar o dinheiro para que a hostilidade voltasse.
Félix sentou-se na beira da cama:
— Quanto dinheiro você quer?
Ele não era tolo. Sabia que a menção a dinheiro naquele momento só significava que ela o desejava.
Não importava, ele não se opunha.
Serviria como uma recompensa pela gravidez.
Karina apertou os lábios, mantendo o silêncio.
A princípio, ela imaginou que Félix lhe daria os dez milhões e tentaria pedir emprestado o restante que faltava.
No entanto, com a atitude atual dele, será que ele desconfiaria de algo se ela mencionasse os dez milhões diretamente?
Ela havia se matado de trabalhar para a Família Lopes por três anos. O próprio médico da família ganhava um salário base de cinco milhões por ano.
Pelo cuidado que Karina dedicou a Félix, seguindo o menor parâmetro salarial, o valor deveria ser de quinze milhões.
Se antes ela não lhe pedira um único centavo, fora por considerar que eram uma família, sem necessidade de mesquinharias.
Mas agora a situação era outra.
Os dois estavam prestes a se divorciar; era justo acertarem as contas.
— Quanto você pode me dar?
— Amanhã haverá um leilão. Venha comigo, e poderei comprar o que você quiser para lhe dar de presente.
— A que horas será amanhã?
O trabalho no instituto havia começado a progredir, e ela não queria desperdiçar seu tempo.
Félix queria levá-la ao leilão apenas para evitar dar-lhe o dinheiro em espécie?
Contudo, Karina tinha contatos suficientes e conhecia inúmeras maneiras de transformar aquilo em dinheiro vivo.
— Às dezenove horas.
— Está bem.
O horário era conveniente e não prejudicaria seu trabalho na pesquisa.
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