Karina revirou os olhos para ele: — Você ainda acha que a Mayra é a mesma garota de antes, que nos daria a chance de capturá-la?
Aplicar aqueles quatro seguranças robustos ao redor dela era claramente uma medida para nos manter afastados.
— Isso não dá, aquilo não dá... Então o que devemos fazer?
— Faremos do meu jeito. Adotaremos uma postura submissa e faremos com que ela assine o termo de perdão primeiro. Além disso, nunca mais levante a mão para ela. Ela está implacável agora e realmente nos mandaria para a cadeia.
Ramiro respondeu com visível impaciência: — Já entendi.
Os dois esperaram na porta do hospital por toda a manhã e não viram nem a sombra de Mayra. Ramiro não conseguiu evitar reclamar: — Tem certeza de que ela terá alta hoje?
— Vamos continuar esperando.
Enquanto aguardavam, de repente, um carro parou ao lado deles.
Dois homens de terno preto desceram do veículo e caminharam até Ramiro e Karina.
Assustados com as recentes abordagens dos seguranças contratados por Mayra, os dois recuaram instintivamente, olhando para os homens com desconfiança.
— Quem são vocês?!
O homem de preto dirigiu-se a Karina: — Olá. O nosso chefe deseja encontrar com vocês.
Neste exato momento, na delegacia.
Ibsen encarava Dimas, à sua frente, com frieza: — O que você veio fazer aqui? Rir da minha cara?
— Claro que não. Eu vim para ajudá-lo.
Dimas tinha um sorriso de canto nos lábios, e seus olhos transbordavam de presunção enquanto observava Ibsen.
Em breve, tanto a Voyage Technology quanto o Grupo Serpa pertenceriam a ele.
— Dimas, você mesmo acredita nessa mentira que acabou de contar?
Se assinasse, ele realmente perderia tudo.
Dimas não se irritou, mantendo o sorriso: — Assine ou não, a escolha é sua. Mas se você passar mais de dez anos na prisão, quando sair, essa empresa provavelmente já não pertencerá mais a você. Você ainda é jovem; se sair agora, ainda pode recomeçar. Mas daqui a mais de dez anos, mesmo que queira empreender, temo que não terá mais nem a energia, nem a capacidade para isso.
Antes de vir, ele já sabia que Ibsen acabaria assinando. Era apenas uma questão de tempo.
— Dimas, para colocar as mãos na Voyage Technology, você realmente não tem escrúpulos e usa qualquer golpe baixo!
— Você está no mundo dos negócios há tantos anos e ainda não aprendeu que se os métodos são éticos ou não, pouco importa? O que realmente importa é o resultado. E, neste momento, o resultado é que eu venci.
— É mesmo? Se ainda não chegamos ao último segundo, como sabe que já venceu?
— O resultado já é bastante óbvio, não acha?
Enquanto falava, ele empurrou o documento novamente para perto de Ibsen: — Assine, e Mayra pagará o preço que merece. Não assine, e você passará mais de dez anos na prisão no lugar dela. A escolha é sua.

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