— Vou ser sincera com você. Eu terminei com Ibsen e recebi cinquenta milhões, mas vocês não verão um único centavo desse dinheiro. O que eu já dei a vocês no passado foi mais do que suficiente para pagar tudo o que gastaram comigo ao longo desses anos. A partir de hoje, eu não tenho mais nenhum laço com a Família Rocha. E não me procurem mais!
— O quê?!
O rosto de Karina estampava choque e incredulidade. Mayra estava querendo cortar os laços com eles?!
Como Mayra poderia cortar relações com eles?!
— Não! Você acha que pode simplesmente cortar os laços assim?! Eu nunca concordarei com isso!
Mayra acenou com a mão: — Não me importo se concordam ou não, eu não verei mais vocês.
Assim que ela terminou de falar, alguém bateu na porta do quarto.
— Entre.
Com a permissão de Mayra, quatro homens robustos vestidos com ternos pretos abriram a porta e entraram, posicionando-se em duplas de cada lado da cama, impondo uma presença intimidatória e sufocante.
Ao verem os quatro seguranças inexpressivos de terno preto, a expressão de Ramiro e Karina mudou visivelmente.
Karina encarou Mayra com fúria: — O que você vai fazer?!
— Eu dou a vocês um minuto para saírem. Se não o fizerem, os meus guarda-costas farão a gentileza de convidá-los a se retirar.
A palavra 'gentileza' foi dita com muita ênfase por Mayra.
Ramiro e Karina, naturalmente, entenderam a ameaça nas palavras dela, e ambos ficaram com os rostos pálidos de tanta raiva.
— Filha ingrata! Você só ficará satisfeita quando nos matar de tanto desgosto!
Obviamente, não foi por falta de vontade. É que, sempre que apareciam na porta do hospital, os guarda-costas de Mayra os barravam, e por mais que fizessem escândalo, não adiantava de nada.
Vendo que Pedro já estava preso na delegacia há uma semana, eles procuraram alguém para checar a situação e descobriram que Mayra planejava processá-lo criminalmente, o que muito possivelmente o faria ficar com antecedentes criminais. Ambos ficaram completamente em pânico.
Se Pedro realmente fosse condenado, que mulher decente aceitaria se casar com ele no futuro?
Ao ver o desespero do casal, a pessoa que eles haviam consultado sugeriu que, se Mayra estivesse disposta a aceitar um acordo, as coisas seriam muito mais simples e Pedro não precisaria ir para a cadeia.
Sem outra alternativa, os dois começaram a fazer vigília diariamente na porta do hospital, pretendendo conversar com Mayra no dia em que ela tivesse alta.
Karina instruiu Ramiro: — Da próxima vez que a vir, controle esse seu temperamento. Se acabar irritando-a de verdade e ela decidir mandar o Pedro para a cadeia de vez, estaremos arruinados!
Com a expressão fechada e os dentes trincados, Ramiro resmungou: — Se fizessem do meu jeito, deveríamos contratar pessoas para capturá-la, levá-la de volta para casa e trancá-la. E se ela não assinasse o termo de perdão, eu quebraria os braços dela!

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