Assustada com o olhar sombrio dele, Mayra cobriu instintivamente o baixo-ventre, com um traço de medo a surgir em seu coração.
— O... O que você quer dizer com isso?
— Você sabe muito bem o que eu quero dizer. Este é meu último aviso a você!
Olhando para as costas frias dele, Mayra mordeu o lábio inferior, as lágrimas brotando em seus olhos.
Ela estava prestes a correr atrás dele quando seu celular tocou repentinamente.
Ao ver que era Pedro, franziu a testa, mas atendeu mesmo assim.
— O que é?
— Irmã, eu ainda quero ir trabalhar na empresa do cunhado. Ajude-me a falar bem de mim para ele! Eu juro que trabalharei direito!
Desde a infância, Pedro sempre tivera tudo o que queria em casa e nunca respeitara Mayra. Sempre a mandava fazer isso e aquilo. Foi só recentemente, quando teve coisas para pedir a ela, que começou a chamá-la de irmã.
Contudo, Mayra era incapaz de enxergar a verdadeira face de Pedro, e ainda sentia que agora estava finalmente sendo necessária para a família, acreditando que eles começavam a amá-la.
Mas sobre a questão de colocar Pedro na empresa de Ibsen... Ela havia mencionado isso antes, e Ibsen a rejeitara de imediato.
Agora que a relação deles estava tão péssima, era ainda mais improvável que Ibsen concordasse.
— Pedro, espere mais um pouco. Daqui a um tempo eu falarei com ele novamente.
O tom de Pedro estava repleto de impaciência:
— E eu tenho que esperar até quando?! Se eu esperar mais um pouco, morrerei de fome em casa!
Mayra sentiu-se um pouco constrangida, achando que era por incompetência sua que Pedro ainda precisava ficar em casa.
— Daqui a um tempo, depois que o bebê nascer, falarei com o seu cunhado novamente, e ele com certeza aceitará.
— Ainda falta meio ano para você dar à luz. Então eu não farei nada durante este meio ano?! Ficarei à espera de morrer de fome?
— Não se preocupe... Eu tenho dinheiro aqui. Logo lhe farei uma transferência de um pouco. Você também deve ajudar mais os nossos pais com as tarefas de casa e parar de ficar deitado o dia inteiro jogando videogame.
— Já sei, já sei. Transfira-me cem mil mais tarde.
Porque sempre que ia para a casa de Mayra, ela começava a fazer mil e uma perguntas e não permitia que nenhuma mulher se aproximasse dele.
Agora, só de olhar para Mayra, Ibsen sentia como se alguém estivesse apertando o seu pescoço, impedindo-o de respirar.
Se ele pudesse voltar no tempo há três anos, nunca teria ficado com Mayra e tampouco permitiria que ela entrasse na Voyage Technology.
De repente, o celular tocou.
Vendo que era Fausta, Ibsen pegou o aparelho e atendeu:
— O que foi?
— Ibsen, seu pai nos convidou para jantar na Família Serpa amanhã. Você tem tempo?
Ibsen estava prestes a recusar, quando, repentinamente, pensou em algo e disse:
— Está bem. Já sei. Amanhã, depois do trabalho, passo para pegá-la.

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