Inês o seguiu até o escritório de Afonso. Após sentar-se, ela olhou para ele e disse:
— Traga os pedidos de compra do Departamento de Compras.
Rapidamente, Valdir entregou os pedidos de compra e os registros de pagamento a Inês.
— Srta. Inês, o Sr. Alves dava muita importância a este projeto. Seria absolutamente impossível ele usar materiais de qualidade inferior de propósito. Há registros de compra de todos os materiais de construção.
Inês assentiu, folheando os pedidos de compra enquanto falava:
— No entanto, os resultados da investigação da polícia mostram que os materiais de construção atualmente usados no canteiro de obras são, de fato, inadequados.
— Com certeza alguém trocou os materiais em segredo. Desde que descubramos quem foi, poderemos provar a inocência do Sr. Alves.
— Receio que esse assunto não seja tão simples assim.
Valdir ficou surpreso por um momento:
— Você quer dizer que... neste caso, alguém armou deliberadamente para o Sr. Alves?
— É o mais provável.
Primeiro, as famílias sequer queriam negociar uma indenização, apenas queriam processar Afonso. Segundo, havia grupos de operários causando tumulto tanto na porta da delegacia quanto na frente do Grupo Alves. Se não houvesse ninguém os instruindo por trás, eles não poderiam estar causando confusão de forma tão organizada.
O rosto de Valdir assumiu uma expressão terrível:
— Mas estes pedidos de compra e registros de pagamento não podem provar a inocência do Sr. Alves?
— Agora não precisamos apenas provar a inocência dele, mas também descobrir quem está por trás disso. Caso contrário, as pessoas não acreditarão e, como o oponente continua nas sombras, ele continuará tentando prejudicar o Grupo Alves.
— Eu já verifiquei tudo, não há problemas em nenhuma das etapas. Não sei por que aqueles materiais de construção foram reprovados.
— Vocês todos podem ver os pedidos e os registros de compra, não há nenhum problema. Até agora, nem mesmo a polícia confirmou que foi o meu pai quem fez isso. Vocês são mais poderosos que a polícia e o juiz para condená-lo agora mesmo?
— Não venha brincar com as palavras. Todos na empresa viram com os próprios olhos que ele foi levado pela polícia. Ele é o responsável geral deste projeto. Se não fosse por ordem dele, quem se atreveria a correr um risco tão grande de trocar todos os materiais por produtos irregulares?
Inês deu um leve sorriso:
— Já que vocês acham que foi ele, então apresentem as provas. Por exemplo, provas de que ele desviou o dinheiro da compra dos materiais, ou de que ordenou aos subordinados que trocassem o material.
Os acionistas entreolharam-se, e seus rostos não pareciam nada bons.
É claro que eles não tinham provas. Se tivessem, não teriam vindo causar problemas ali, mas sim entregado as evidências diretamente à delegacia.
Vendo que eles se olhavam sem dizer nada, Inês continuou:
— Já que não têm provas, não venham aqui tentar me intimidar. Esperaremos até que saiam os resultados da investigação. Se foi realmente ele quem fez isso, ele será sentenciado e irá para a prisão como deve ser. Mas até que tudo seja esclarecido, não quero que vocês venham aqui causar escândalos sem motivo.

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