— Isso não me parece ser da sua conta.
Ursula deu uma risada, sua voz carregada de amargura:
— Inês, se não fosse por você, Lucas jamais teria voltado para o Grupo Leite. Você não o entende de verdade e não merece estar com ele!
Há muito tempo, Ursula sabia que Lucas não tinha o menor desejo de herdar o Grupo Leite.
O que ele queria era liberdade, e a sua paixão era a medicina.
Mas agora, por causa de Inês, ele iria abandonar a medicina que tanto amava para voltar à Família Leite e herdar o Grupo Leite.
Ela havia se esforçado tanto com a esperança de poder herdar o Grupo Cunha no futuro, para que Lucas pudesse fazer o que gostava sem quaisquer preocupações, em vez de ficar preso a uma empresa.
No entanto... Lucas simplesmente não lhe dera essa oportunidade.
Ela não conseguia compreender... Família, aparência, intelecto... Em que aspecto ela perdia para Inês?
Por que Lucas preferia ficar com Inês e sequer lhe dava um segundo olhar?
Inês abaixou o olhar, com um tom muito frio:
— Se eu o mereço ou não, não cabe a você julgar.
— Um dia, Lucas certamente se arrependerá de ter voltado para o Grupo Leite por sua causa. Eu vou esperar por esse dia!
Inês franziu a testa:
— Srta. Ursula, parece que você entendeu algo errado. Você diz que eu não o entendo, mas, do meu ponto de vista, é você quem não sabe nada sobre ele.
As emoções de Ursula subitamente se agitaram, e seu tom tornou-se apressado e estridente:
— Com que direito você diz que eu não o entendo? Nós somos amigos de infância, crescemos juntos. Além de mim, não há ninguém neste mundo que o entenda melhor. Você apenas teve a sorte de conquistar o coração dele!
— Sim, eu admito que tive sorte, mas isso não contradiz o fato de que você não o compreende. Ele é um indivíduo independente, qualquer decisão que toma é cuidadosamente ponderada. E eu acredito que ele não se arrependerá de nenhuma das escolhas que fez.
— Você! — Ursula soltou um riso frio. — Ele voltou ao Grupo Leite apenas por sua causa. É claro que é fácil para você falar assim!
O quarto do hospital estava um caos, com o chão coberto de cacos de porcelana, flores e presentes que outras pessoas haviam lhe trazido durante as visitas.
Após bons dez minutos, César finalmente extravasou sua raiva e suas emoções se acalmaram gradualmente.
Com os olhos vermelhos, ele olhou para Regina, que se encolhia trêmula em um canto:
— Regina, me diga, eu realmente nunca mais poderei andar com minhas pernas?
Regina secou as lágrimas e, com a voz embargada, respondeu:
— César, independentemente de você poder andar ou não, eu sempre estarei ao seu lado, junto com o nosso bebê...
Dizendo isso, Regina estendeu a mão e acariciou o ventre.
Ela estava grávida de apenas três meses e sua barriga ainda não começara a aparecer.
Ao ouvir aquilo, a expressão de César instantaneamente tornou-se sombria e assustadora. Se ele ficasse sem as pernas, qual seria a diferença entre ele e um inútil?

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