Alípio caminhou lentamente, seguindo Ema de perto.
Érica se agarrou forte ao pescoço de Alípio, apoiou a cabecinha no ombro dele e disse com a voz ainda trêmula:
— Papai, eu acabei de ter um sonho muito assustador. Tinha um monstro gigante correndo atrás de mim no sonho.
— Ah, é? E a Érica foi corajosa e conseguiu fugir dele? — perguntou Alípio com muita doçura, enquanto acariciava gentilmente as costas da menina.
— Eu corri e corri, mas o monstro era muito rápido. Eu não conseguia escapar dele de jeito nenhum. — Érica franziu as pequenas sobrancelhas, como se tivesse voltado para dentro daquele pesadelo apavorante.
— Não faz mal, o papai chegou. O papai vai proteger a Érica e não vai deixar nenhum monstro assustar você. — Alípio olhava para a filha, com os olhos transbordando de determinação e afeto.
Ouvindo as palavras dele, Érica acenou com a cabeça vigorosamente:
— Uhum. Eu sei que o meu papai é o mais forte. Com o papai aqui, e com a mamãe também, a Érica não tem medo de mais nada.
Ao terminar de falar, ela deu um beijo no rosto de Alípio, e abriu um sorriso meigo.
Alípio sorriu encantado com a atitude da menina. Ele a levou até a cama, sentou-se com ela no colo e continuou a conversar em voz baixa, acalmando-a.
Ema caminhou sorrateiramente até a varanda, sentindo a brisa suave da noite tocar seu rosto. Ela permaneceu ali em silêncio, enquanto ouvia o murmúrio acolhedor das vozes do pai e da filha lá dentro.
Aquelas vozes pareciam ter um poder mágico, fazendo a sua mente se tranquilizar gradativamente. Ela mergulhou naquele instante de paz e deixou que seus pensamentos vagassem livres.
Quando a conversa finalmente cessou, pareceu que o mundo inteiro mergulhava no mais profundo silêncio. De repente, um aroma familiar viajou com a brisa; era o cheiro marcante de Alípio. Imediatamente, os devaneios de Ema foram interrompidos.

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