Zenobia o olhava com os olhos turvos e, com um dedo que já apontava um tanto instável, disse:
— Você está roubando, não está? Por que o seu rosto não está vermelho?
Vendo o estado de bebedeira de Zenobia, Wendell não conseguiu conter um risinho.
— Sra. Duarte, a minha resistência foi moldada em situações difíceis, não é qualquer coisinha que vai me deixar vermelho assim. Já você, se continuar bebendo, temo que vá acordar com uma dor de cabeça terrível amanhã.
Zenobia pareceu não ouvir o que ele disse e continuou apontando, teimosa:
— Não, não acredito. Você com certeza está trapaceando. Vamos continuar. — Dizendo isso, esticou a mão em direção à garrafa de cachaça.
Rápido como um raio, Wendell segurou a mão dela e falou, balançando a cabeça:
— Sra. Duarte, não dá mais para beber. Olha o seu estado.
Zenobia tentou se soltar algumas vezes, mas não conseguiu se desvencilhar do aperto de Wendell. Lançando um olhar irritado para ele, disparou:
— Me solta, eu ainda aguento beber mais!
Wendell sorriu, resignado, e a soltou.
Conforme o animado jantar se aproximava do fim, Zenobia já estava consideravelmente bêbada.
Recostada na cadeira, com um olhar aéreo, resmungava de vez em quando algumas palavras incompreensíveis.
Wendell, olhando para aquela Zenobia entorpecida pelo álcool, virou-se para os outros e disse:
— Podem ir na frente. Eu levo a Sra. Duarte para casa daqui a pouco, moramos no mesmo condomínio.
Como todos conheciam a reputação e o caráter de Wendell, concordaram educadamente com a cabeça, despediram-se e saíram da sala privativa do restaurante.
Lentamente, Wendell puxou sua cadeira para perto de Zenobia. Estendeu o braço de forma suave e a acolheu em seu abraço.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Acusada de Traição, Volto com Três Filhos