Ema olhou fixamente para a vendedora e perguntou em um tom gélido:
— Tem certeza de que foi isso mesmo que você viu?
A vendedora sentiu-se intimidada sob o olhar cortante de Ema, mas forçou-se a manter a postura:
— Tenho certeza, eu vi perfeitamente.
Ao ver a vendedora tomar o seu partido, Natália ficou ainda mais vaidosa. Ela ergueu ligeiramente o queixo, lançando um olhar provocador para Ema e Hortensia.
— Alípio, viu só? Eu disse a verdade. Elas estão apenas implicando comigo.
O tom de Natália estava carregado de mágoa e insatisfação, como se fosse a maior das vítimas.
Alípio ignorou Natália e continuou encarando a vendedora.
— Tem mais alguma coisa a acrescentar?
A voz dele soou profunda e contundente, transbordando autoridade.
Sob o escrutínio do olhar de Alípio, a vendedora sentiu um calafrio na espinha e seus lábios tremeram levemente.
— Sr. Salazar, eu juro que não estou mentindo. Esta senhorita realmente viu a roupa primeiro.
Sua voz vacilou um pouco, mas ela se esforçou para parecer firme.
Ema deu um sorriso sutil e voltou o seu olhar para Alípio:
— Senhor, esta vendedora claramente se intimidou com o abuso de poder de alguns e decidiu mentir junto. Não posso controlar isso, mas a minha amiga vai levar esta peça hoje de qualquer jeito.
Natália olhou para Ema com desconfiança, sem entender por que ela estava fingindo não conhecer Alípio, chamando-o de "meu senhor".

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