Marcos franziu a testa com resignação, pegou o caderno, fotografou o endereço com o celular e respondeu calmamente:
— Ninguém pode impedir o que ele decide fazer. Deixe estar.
Com o endereço em mãos, Marcos voltou apressadamente para a sala principal e relatou a Alípio:
— Sr. Salazar, o endereço já foi enviado para o seu celular. Apenas uma coisa: o mordomo disse que chegar à casa da Isabel pode ser trabalhoso.
Alípio pegou o celular e deslizou a tela para ver o endereço, sem dar a mínima atenção ao aviso de Marcos. Após um momento de silêncio, ele disse:
— Cancele todo o trabalho. Vamos partir agora.
Ao ouvir isso, Marcos franziu o rosto em aflição e relatou com cautela:
— Mas, Sr. Salazar, temos assuntos muito importantes nestes dias. O Grupo não pode ficar sem o senhor.
Alípio levantou-se com indiferença. Enquanto caminhava em direção à porta, retrucou:
— Diga-me, em qual dia o Grupo pode ficar sem mim?
Dizendo isso, Alípio lançou-lhe um olhar severo e continuou andando para fora.
— Chame outro motorista. Ele dirige, você cuida dos assuntos do trabalho.
Ordenou Alípio sem olhar para trás.
— Sim, Sr. Salazar.
Marcos não teve tempo para pensar, muito menos motivos para contestar. Ele só pôde correr para alcançá-lo enquanto respondia.
......
......
Três dias depois.
Ema finalmente sentiu que seu corpo e mente estavam um pouco mais calmos. O corpo já não estava tão exausto e o coração doía menos.
Nesses três dias, Zenobia cuidou dela sem sair de casa.
Ema escondeu sua dor, dizendo a Zenobia que o mal-estar era devido à gravidez. Contou brevemente sobre a confusão que Catarina fez na rua, mas não mencionou uma palavra sobre o encontro com Alípio.
O braço de Ema parou no ar. Ela olhou de lado e respondeu calmamente:
— Ah, é mesmo? Se eu não tocar, como saberei a qualidade do material?
Enquanto falava, Ema olhou serenamente para a vendedora. Sua postura altiva fez a vendedora vacilar levemente.
A vendedora ergueu as sobrancelhas e caminhou em direção a Ema com má vontade.
Enquanto se aproximava, ela media Ema com um olhar de desdém, observando o vestido de algodão que ela usava, assim como a bolsa e os sapatos simples.
— Sugiro que olhe a etiqueta de preço antes de decidir se vai tocar ou não. Afinal, se sujar e não puder pagar, vai ser constrangedor, não acha?
A vendedora parou ao lado de Ema e falou com um tom levemente irônico.
Ema captou perfeitamente o olhar da vendedora. Ela já tinha visto e ouvido falar desse tipo de funcionária que julga as pessoas pela aparência.
Mesmo quando ainda era a Sra. Salazar, ela saía vestida de forma muito simples e frequentemente encontrava esse tipo de vendedora.
Ema baixou o braço com naturalidade e elegância. Quando estava prestes a dizer algo, uma voz afiada veio da entrada:

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