Zenobia a aconselhou:
— Tome cuidado quando for sair. De qualquer forma, agora você mora no Bosque dos Ipês e tem seguranças, não precisa ter medo. E as crianças também estão sendo protegidas pela equipe dele, não estão? Vai ficar tudo bem. A culpa de tudo isso foi minha, perdi o celular e dei brecha pra aquela cobra dar o bote.
Ao falar nisso, Zenobia ficou irritada, deu um soco no volante e desabafou com indignação:
— A culpa é toda do Wendell Belmonte! Estou até desconfiada de que foi ele quem armou para eu subir no palco para aquele jogo.
— Como a culpa poderia ser sua? Não fique pensando bobagem — Ema deu um sorriso amarelo. — Ele lá no palco ia ter como controlar as luzes para apontarem justo pra você? Mas me diz... você gosta mesmo do César Guerra? Eu sempre achei que o Wendell tinha sido o amor mal resolvido da sua vida. Talvez... devesse dar outra chance a ele?
Zenobia ficou em silêncio por um segundo antes de responder:
— Vai saber o que ele quer voltando de repente. Acha que estamos numa novela das nove? Não tô nem aí pra ele. E o César também está me dando dor de cabeça. Sinto que ele tem um complexo de inferioridade quando está comigo. E você sabe que eu não sou do tipo delicada, falo tudo o que penso, e acabo pisando no calo dele sem querer. Quer saber? Eu era bem mais feliz sozinha. Preciso achar uma brecha pra ter uma conversa séria com ele.
Ema tentou apaziguar:
— Ele tem um cargo inferior ao seu e não ganha tão bem quanto você. É normal que, como homem, ele sinta essa insegurança. Mas, no fim das contas, a decisão é sua. Como você sempre me diz: desde que você esteja feliz, eu apoio. O importante é não se forçar a nada.
— É verdade — concordou Zenobia. — Chegamos. Não esquece de pegar a sua bolsa.
Pouco tempo depois, as duas desceram do carro e caminharam em direção ao campo de golfe.
O sol iluminava a vasta extensão de grama verde, enquanto uma brisa suave soprava, trazendo um ar fresco e revigorante.
Elas trocaram de roupa, colocaram os óculos escuros e os bonés, e seguiram para a área de treino. Zenobia foi a primeira a pegar o taco, fazendo um movimento impecável para demonstrar.
— Ema, olha pra mim. Incline um pouco o corpo, deixe os braços balançarem naturalmente, e aí você bate com força.
A bola desenhou um arco elegante no ar e pousou a vários metros de distância no gramado.
Ema admirou a desenvoltura de Zenobia com certa inveja.

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