Talvez Alípio tivesse percebido essa mudança sutil nela. Como não queria apressar as coisas, ele terminou a água e levantou-se lentamente:
— Já é tarde, vou indo. Tente dormir cedo. Ah, antes que eu me esqueça, enquanto eu não descobrir o paradeiro da Helena, não deixe as suas amigas irem ao Bosque dos Ipês para não correrem o risco de serem seguidas. E quanto às duas funcionárias, se você achar que são de confiança, pode levá-las com você.
— Ah, tudo bem. — Ema levantou-se logo atrás. — Eu te acompanho até a porta.
Os passos dos dois eram arrastados, como se cada movimento estivesse carregado de inúmeros pensamentos.
Ema acompanhou Alípio até a entrada. Ao cruzar a porta, ele virou-se para encará-la. Ema mantinha o olhar baixo, as mãos unidas à frente do corpo, demonstrando certo nervosismo.
Ele a observou em silêncio. Havia um mar de carinho e relutância em seus olhos.
Ele abriu um pouco a boca, como se quisesse dizer algo, mas sem saber por onde começar.
No fim, apenas soltou um suspiro suave.
O som do suspiro soou nítido na noite silenciosa, carregando um peso de sentimentos que as palavras não davam conta de expressar.
O olhar de Alípio percorreu o rosto de Ema, como se quisesse gravar as feições dela profundamente no coração.
O cabelo dela estava preso de forma displicente, com alguns fios caindo ao redor das orelhas. Ele sentiu uma vontade enorme de estender a mão para arrumá-los, de abraçá-la bem apertado, mas conseguiu se conter.
— Pode trancar a porta. — A voz de Alípio soou rouca e gentil, com um tremor quase imperceptível.
Ema concordou levemente com a cabeça. O seu olhar varreu o rosto atraente de Alípio, despertando uma mistura confusa de emoções.
Aquele homem já a havia feito sofrer tanto no passado, mas agora...
— Cuide-se bem, já vou. — Ele recomendou novamente, num tom preocupado.
Ema deu um leve sorriso e respondeu num sussurro:
— Você também.
Alípio lançou-lhe um último olhar profundo antes de se virar e partir.
De volta à sala, Ema sentou-se no sofá, com a mente a mil. Ela ficou observando a vista noturna pela janela, tomada por uma sensação de confusão.
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No dia seguinte.
Depois que as crianças foram buscadas, outros seguranças chegaram e levaram o resto dos pertences.

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