Fátima franziu ligeiramente a testa, buscando na memória, e respondeu:
— Basicamente, era sempre ela quem dizia o quanto o Alípio a tratava bem. Ela nunca me levou junto quando ia se encontrar com ele, então eu não sei os detalhes. O que eu disse agora pouco não é porque duvido que o Alípio ame você, mas sim porque acredito que, sendo o homem que é, ele poderia acabar tolerando a Helena por causa de uma dívida de vida.
Ema contraiu as sobrancelhas, suas dúvidas se aprofundando. Ela indagou:
— Quando você entrou, disse que sentia que a Helena estava tramando contra mim. De onde tirou essa conclusão?
A expressão de Fátima tornou-se grave ao responder:
— Quando estávamos discutindo, no meio de tudo o que ela falou, ela soltou uma outra frase. As palavras exatas foram: "Se não fosse por aquela desgraçada da Ema, eu já estaria casada com o Alípio. Foi a Ema quem me deixou nesse estado." E, enquanto dizia isso, o rosto dela estava tomado pelo ódio. Juntando isso com a história da boneca macabra que você mencionou, sinto que ela está planejando alguma coisa.
Os olhos de Ema se encheram de confusão; ela não entendia por que Helena repentinamente se tornaria uma ameaça. Com desconfiança, ela ponderou:
— Já se passaram anos. Se ela me odiasse tanto por causa disso, não teria se vingado antes? Por que esperaria até agora?
Fátima acenou com a mão, discordando:
— Aí é que está o problema. Ela nunca foi de ter muito peso, certo? Mas agora, ela está assustadoramente magra. Sinto que ela deve ter passado por algo terrível nesses últimos anos. A aparência e o corpo dela parecem com os de alguém que enfrentou uma doença gravíssima. Talvez estivesse se recuperando? Ou algo pior?
Ao ouvir as palavras de Fátima, Ema mergulhou em pensamentos.
Fidel Ribeiro havia mencionado que Helena sofrera de uma depressão severa. Seria possível que a doença a tivesse deixado tão abatida?
Uma sensação de inquietação crescia intensamente dentro de Ema, mas ela não deixou que transparecesse diante de Fátima. Em vez disso, perguntou com serenidade:
— Qual é a sua intenção ao me contar isso? Ou melhor, como você pretende se vingar?
Fátima tirou um pedaço de papel da bolsa e o desdobrou sobre a mesa:
— Anotei a placa da moto. Só espero que não seja uma placa clonada. Eu não tenho os recursos para investigar, então queria pedir que você averiguasse. Se conseguirmos descobrir onde ela mora, mesmo que eu não consiga levá-la à Justiça, vou encontrar uma forma de tornar a vida dela um inferno. Talvez você não queira me ajudar nisso, mas tenho um forte pressentimento de que ela quer te fazer mal. É melhor que você a encontre primeiro e tome suas precauções.

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