Ele esfregou os olhos, incrédulo. Após confirmar o que via, aumentou a voz, afobado, e reportou a Alípio no banco de trás:
— Sr. Salazar! O senhor precisa ver isso! Olhe lá, rápido!
No entanto, Alípio, concentrado nos documentos, não levantou a cabeça e não reagiu imediatamente às palavras de Marcos.
Sua voz soou lenta, com um toque de indiferença:
— Você não sabe a urgência do assunto que vamos tratar? Se tem tempo livre para ver confusão, deveria usá-lo para resolver o engarrafamento.
Marcos ignorou o medo da repreensão de Alípio e sua voz saiu ainda mais alta e urgente do que antes:
— Sr. Salazar, ali, olhe naquela direção! É a Sra. Pacheco está sendo agredida!
Ao ouvir o nome de Ema, o olhar de Alípio, antes focado nos papéis, levantou-se imediatamente na direção apontada por Marcos.
Naquele momento, Catarina, com o rosto retorcido e uma expressão feroz, puxava violentamente o cabelo de Ema por trás.
Ema parecia completamente indefesa sob os puxões de Catarina. Seu corpo parecia ter perdido as forças, e cada tentativa de luta era inútil.
Seus olhos revelavam pânico e dor, e as lágrimas já giravam em suas órbitas, mas ela não conseguia se livrar das garras de Catarina.
As pessoas ao redor apenas assistiam à confusão; ninguém se adiantava para ajudar.
Marcos mantinha os olhos fixos em Ema, com o coração tomado pela ansiedade.
Quando ele estava prestes a falar novamente, ouviu o som seco da porta do carro batendo com força.
Ué... ele não tinha dito que não se importava se ela vivia ou morria? Por que correu tão rápido?
A agilidade de Alípio provava que ele ainda se importava com Ema; a frieza anterior devia ser puro fingimento.
A mulher, que ele não via há dias, parecia ter ganhado um pouco de peso, mas seu rosto estava pálido, sem nenhum sinal de cor.
Seu cabelo estava uma bagunça devido aos puxões, havia marcas claras de tapa no rosto e arranhões visíveis no pescoço. Ela parecia frágil e digna de pena.
A garganta de Alípio moveu-se involuntariamente. Ele estava prestes a estender a mão para afastar os fios de cabelo do rosto dela e arrumá-la.
Mas Ema recuou rapidamente alguns passos.
O gesto fez Alípio travar. Seu braço estendido ficou suspenso no ar por alguns segundos antes de cair ao lado do corpo.
Talvez por ver o estado deplorável de Ema, ele decidiu não discutir.
Ema, com a cabeça baixa, não tinha tempo para se preocupar com seus ferimentos. Em sua mente, havia apenas um pensamento: a sorte de Catarina não ter machucado seu filho.

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