Ao notar a mudança na expressão dela, Alípio sentiu um leve alívio no coração. Ele não respondeu à pergunta; apenas disse:
— Eu sei de tudo o que você gosta...
Uma onda de emoções complexas invadiu o coração de Ema, mas ela não queria aceitar tanto assim aquele presente. Era como quando, na infância, via Alan e Tânia comendo guloseimas deliciosas; quando finalmente teve dinheiro para comprá-las anos depois, percebeu que o sabor não era tão incrível quanto havia imaginado.
Os dedos de Ema acariciaram de leve o lugar da assinatura.
— Obrigada, Alípio. Mas eu não sou mais uma garotinha. Já não tenho esse tipo de idolatria.
Alípio franziu levemente a testa, sentindo que havia algo nas entrelinhas daquela frase.
— Ema... — ele a chamou em voz baixa.
Mas Ema o interrompeu:
— Alípio, sou muito grata por você ter convencido sua mãe a não brigar pela guarda das crianças. Neste fim de semana, vou levar os meninos para a sua casa, para que façam companhia a ela.
O tom de Ema era muito calmo e educado, mas, para Alípio, aquilo soava completamente errado.
Ele segurou os ombros de Ema de novo:
— Ema, me diz o que aconteceu. No passado, nós chegamos àquele ponto justamente porque havia muitos mal-entendidos, não foi?
Ema piscou, olhou para ele e logo virou o rosto para o outro lado, mantendo o tom sereno:
— Não aconteceu nada. Talvez eu só esteja preocupada com a possibilidade de Helena tentar me fazer mal pelas costas.
Ao ouvir isso, a expressão de Alípio escureceu:
— Seu irmão já me contou. Pode ficar tranquila, eu não vou deixar nada acontecer com você.
Ema não respondeu mais. Alípio pegou a mão dela com firmeza:
— Mesmo ocupada, você precisa comer. Vem almoçar comigo primeiro.
— Eu realmente não vou. Depois peço qualquer coisa para comer. — Ema recusou friamente e estendeu a caixa de presente de volta para ele. — E leva isso com você.

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